[CINEMA] Review - Requiem for a Dream (A Vida Não é Sonho)

8 de setembro de 2010 à(s) 15:16

Realizador: Darren Aronofsky
Argumento:
Hubert Shelby Jr. (livro); Hubert Shelby Jr., Darren Aronofsky (argumento)
Com: Ellen Burstyn, Jared Leto, Jennifer Connelly, Marlon Wayans
Dura
ção: 102 min

Review: Requiem for a Dream baseia-se no romance homónimo de Hubert Shelby Jr., escrito em 1978, com argumento igualmente escrito por Shelby Jr. em conjunto com Darren Aronofsky, também realizador da película. A história segue o período do Verão, Outono e Inverno na vida de Sara Goldfarb (Ellen Burstyn), o seu filho Harry (Jared Leto), a namorada deste (Jennifer Connelly) e um amigo (Marlon Wayans), todos lutando com diferentes formas de dependência que acabam por os aprisionar num mundo de alucinação e desespero que finalmente se funde com uma realidade devastadora e se transforma num pesadelo ao vivo e a cores do qual é impossível acordar.

O filme foi altamente aclamado pela critica cinematográfica, apresentando diversos pontos fortes: a música belíssima composta por Clint Mansell e tocada pelo Kronos Quartet (especialmente a composição “Lux Aeterna”), utilizada posteriormente na banda sonora de vários outros filmes como O Código Da Vinci, Eu Sou Lenda ou a série Lost; as performances dos actores, com especial destaque para Burstyn (nomeada ao Óscar), que retrata de forma brilhante as consequências da vida de isolamento e tédio de uma viúva cuja distracção é levar a cabo uma dieta de comprimidos multicoloridos e de eficácia duvidosa para atingir a silhueta perfeita de há muitos anos atrás e assim surpreender no programa de televisão para o qual foi hipoteticamente convidada; e a própria técnica de filmagem (frequentemente chamada hip hop montage, consiste na montagem de shots extremamente curtos resultando na progressão de cenas a grande velocidade) – a titulo de curiosidade, enquanto num filme médio de 100 minutos são feitos 600 a 700 cortes de cenas, Requiem for a Dream apresenta mais de 2000!

Sim, eu sei que o filme já tem uns largos 10 anos de existência, mas é possível que, como para mim, Requiem for a Dream seja para vocês apenas o nome de um filme do qual não sabem a história mas que não se importariam de ver se a ocasião se proporcionasse. Pois bem, a ocasião proporcionou-se para mim e ainda bem, porque uma experiência cinematográfica que nos deixa desconfortavelmente pregados à cadeira puxando os lábios nervosamente perante o choque, a bizarria, a repugnância e o interesse mórbido, é, no mínimo, uma experiência inesquecível e bem melhor que a que se obtém com um filme que esquecemos 5 minutos depois de o vermos; o facto de ser difícil expressar uma opinião coerente sobre se se gosta ou não de Requiem for a Dream, atesta pelo menos à sua irreverência e capacidade de afectar o espectador, não o deixando indiferente (que, no final de contas, é o que se quer).


Raquel Pereira

[MÚSICA] Bolas de Naftalina Vai ao Baile 4 - Ouvidos fracos não entram!

3 de setembro de 2010 à(s) 10:11
A nova edição do BNVB, desta vez com participação familiar especial, apresenta um mix hard-core para quem quiser experimentar. Avisam-se já os ouvidos mais fraquinhos....Disfrutem!

[CINEMA] Review - 500 Days of Summer (500 Dias com Summer)

15 de agosto de 2010 à(s) 11:04

Realizador: Marc Webb
Argumento: Scott Neustadter, Michael H. Weber

Com: Joseph Gordon-Levitt, Zooey Deschanel, Geoffrey Arend, Chloe Moretz, Matthew Gray Gubler

Duração: 95 min

Review: Logo ao início ficamos a saber que não estamos na presença de uma história de amor, apesar da típica premissa boy meets girl. O filme transporta-nos de forma não-linear (como a própria memória humana) pelos 500 dias do romance de Tom, um rapaz de gosto eclético que trabalha numa empresa que produz cartões para festas (longe do seu sonho profissional em ser arquitecto), com Summer, uma rapariga que desde sempre prendeu o olhar do sexo oposto, mas que não acredita no amor. Gordon-Levitt (especialmente) e Deschanel funcionam bastante bem com um casal disfuncional (até comparado a Sid & Nancy) que parecia destinado a permanecer junto até deixar de o ser, cada um trazendo as suas peculiaridades à personagem, seja o ar fofinho de Gordon-Levitt (mesmo quando destroçado) sejam os olhos anormalmente grandes e a voz arrastada de Deschanel.

Ao som de uma banda sonora típica de filme indie alternativo, mas que não só é em si bastante agradável como assenta muito bem aos altos e baixos dos dias de “Verão” de Tom, 500 Dias com Summer é um filme que embora (literalmente) pequeno, nos enche bem as medidas como drama romântico com toque de comédia. A apresentação dos acontecimentos saltando pela linha temporal resulta surpreendentemente num ritmo rápido, fluido e nada complicado de seguir (por outro lado, é um dos pontos fortes do filme, juntando o cenário que nos informa o dia em que estamos, um cenário que se vai tornando mais negro à medida que nos aproximamos do dia D – ou 500). A mistura à equação das falas de um narrador anónimo, de danças de rua e passarinhos de desenhos animados depois de uma noite de sorte e das próprias cenas de humor, para além do facto de Tom aceitar conselhos amorosos e de vida da sua irmã de 11 anos/terapeuta privada, sabiamente em detrimento dos dos seus melhores amigos também eles disfuncionais à sua maneira, só aumentam o atractivo deste filme simples, despretensioso e definitivamente merecedor de atenção.



Raquel Pereira

[CINEMA] Review - Let The Right One In (Deixa-me entrar)

11 de agosto de 2010 à(s) 11:43
Realizador: Tomas Alfredson
Argumento: John Ajvide Lindqvist (Livro e argumento)
Com: Kåre Hedebrant, Lina Leandersson
Duração: 115 min

Review: Let the Right One In, filme sueco que ganhou cerca de 60 prémios em festivais de cinema, conta a história do desenvolvimento da relação de um rapaz de 12 anos, Oskar, com um(a) vampiro(a), Eli, que há muito não passa dos 12 anos.

Apesar da premissa ser original, o resultado final dificilmente poderia ser pior. O filme, que se estende por quase 2 horas, parece mais uma tour de force artística do que propriamente uma longa-metragem. O enredo, que já por si é minimalista a níveis nunca antes vistos, é atirado para uma abundância de cenas supérfluas e desprovidas de vida que em nada ajudam o filme. É impossível não notar que tudo isto é feito de forma intencional, no entanto não consigo imaginar qualquer cenário em que alguém tenha achado que esta história era suficientemente interessante para fazer alguma mais que uma curta-metragem dela.

Alem do enredo ser totalmente desprovido de acção, suspense ou qualquer outro aspecto que o possa tornar suportável durante 120 minutos, a maior parte das cenas não faz qualquer sentido. Se aprendi algo com este filme é que na Suécia matar pessoas na rua e pendura-las em árvores não causa qualquer confusão aos habitantes nem à policia; nem mesmo quando a pilha de cadáveres se vai acumulando existe uma mísera investigação criminal. Obviamente que o objectivo do filme não é ser o CSI, e não é isso que se pede, mas no meio de tantos minutos de cenas que em nada contribuem para a história ter uma que efectivamente podia contribuir para a viabilidade da história não tinha incomodado assim tanto.

A questão seguinte é a das personagens que não se parecem com nada que exista no planeta terra, sendo que a maioria, e muito especialmente Oskar (que claramente não sabe utilizar um lenço para se assoar ou fechar a boca para que a saliva fique dentro desta), parecem sofrer de um atraso mental grave. É-me completamente impossível estabelecer qualquer relação pessoal com qualquer uma das personagens, é quase impossível imaginar aquelas pessoas como seres humanos funcionais. A culpa não me parece que seja dos actores mas sim de quem escreveu o argumento. Ainda assim é de mencionar que nenhum dos actores é especialmente brilhante, são competentes e ficam por aí.

Para uma longa-metragem, o filme simplesmente não tem enredo, cenários ou qualquer sentido de direcção. Até ao momento ainda não consegui perceber qual era o objectivo do realizador e argumentista. Como filme sobre crianças traumatizadas não acrescentou nada de novo ao género, muito pelo contrário, é uma história demasiadas vezes contada em filmes e livros. Como filme de vampiros é uma catástrofe visto que o facto de Eli ser um vampiro é um mero detalhe, algo que quase se consegue esquecer, podia ser uma criança com uma doença rara e o filme era exactamente o mesmo. Os planos constantes de ruas mal iluminadas e neve a cair, acompanhadas com música orquestral perdem o significado ao fim das primeiras 10 vezes. O golpe final foi a ideia de que grandes planos das caras dos personagens esforçando-se para mostrar sentimentos que não estão presentes no filme seria o mais indicado para substituir diálogos.

Os fãs (talvez fanáticos seja mais indicado) do filme dirão que o filme é excelente, as personagens bem construídas, o ambiente enclausurante da Suécia uma obra-prima e os actores a cereja no topo do bolo. Infelizmente eu não consigo ver nada disso, o que eu vejo é um filme que tinha muito potencial mas que se perde em pretensiosismo indie e cujo resultado é uma longa sequência de cenas entorpecidas construídas sobre um enredo inexistente onde qualquer réstia de suspense é substituída pela previsibilidade e pelo absurdo.

Mário Barroso

[LIVROS] Review - The Black Angel

à(s) 00:25

Autor: John Connolly
Editora: Hodder
Páginas:
596

Sinopse: Charlie Parker é um investigador privado que vive assombrado pela morte da mulher e da filha às mãos de um serial-killer e pelo sentimento de culpa perpétuo em relação a todas as vítimas, incluindo a sua família, que não conseguiu salvar. Apesar de ter reconstruído a sua vida familiar, este precário equilíbrio é posto em causa perante o desaparecimento e possível homicídio da prima do seu melhor amigo e companheiro de negócios, uma jovem prostituta das ruas de Nova Iorque que se vê no sítio errado à hora errada. Parker junta-se à investigação empreendida pelo seu colega Louis para encontrar o seu ente querido e vingar a sua possível morte. O caminho que vão percorrer levá-los-á ao encontro de uma lenda sobrenatural e a busca por um artefacto mítico de natureza demoníaca, levada a cabo por uma “organização secreta” liderada pela assustadora e inumana figura de Brightwell e que não olha a meios para atingir os seus fins, por mais brutalidade e devastação que seja necessária.


Review: Infelizmente só quando já ia quase a meio deste livro é que me apercebi que ele não só fazia parte de uma série literária como constituía um dos seus últimos tomos. Felizmente, apercebi-me também que a leitura sequencial não é propriamente uma obrigação no género policial (à parte a ocasional referência passada cujos pormenores nos escapam) e, quando muito, decerto me despertou a curiosidade para ler pelo menos o primeiro dos livros – Every Dead Thing – que constitui a génese do percurso futuro da personagem principal e que, aparentemente, é o melhor ponto de partida para começar a descobrir a série Charlie Parker ou mesmo a obra total de Connolly.

Como policial, The Black Angel cumpre os seus requisitos de acção, mistério e suspence, para além de uma quantidade razoável de sangue e ossos, juntando uma componente sobrenatural com a já comum ligação religiosa, ainda que os fanáticos neste caso sejam maléficos com M maiúsculo e aparentemente muito pouco humanos.

Ainda que, na minha opinião, o livro em si não seja propriamente arrebatador, possui um ritmo interessante e cativante e uma linguagem fluida (mesmo em inglês), muito ao jeito dos brilhantes Vista pela Última Vez (Gone Baby Gone) e Prenúncio de Chuva (Prayers for Rain) de Dennis Lehane, até com uma certa sobreposição no heróis-detectives-privados de ambas as histórias, se bem que Parker seja infinitamente mais atormentado.

Outros pontos interessantes são a própria lenda que dá origem ao título do livro, e todos os indivíduos a ela ligados desde a sua criação até ao presente, criando o pano de fundo sobrenatural para uma investigação brutalmente real, e o cenário do showdown final (o Ossuário de Sedlec), deslumbrante e magnificente mas completamente sinistro e perturbador na sua essência, que, sim, existe mesmo.

Raquel Pereira

[MÚSICA] Bolas de Naftalina Vai ao Baile 3 - O Girl Power

9 de agosto de 2010 à(s) 18:35
O BVNB regressa com mais uma playlist, desta vez apresentando uma compilação de puro girl power, mas que definitivamente não é só para meninas. Música, por favor!

(Clicar na música para ouvir, sff)


- Ruby Blue - Roisin Murphy
- We Walk - The Ting Tings
- Teardrop - Massive Attack
- Playground - Sia
- Young Lovers - Love Grenades
- Howl - Florence + The Machine
- Headlock - Imogen Heap

- Ignorance - Paramore
- Medicine Man - The Hush Sound
- Push it - Garbage
- The Girl And The Robot - Royksopp
- 24 - Jem
- Sleep Alone - Bat For Lashes
- My Favourite Game - The Cardigans
- Pussycat - Mulu


Raquel Pereira

[CINEMA] Review - Inception (A Origem)

4 de agosto de 2010 à(s) 13:48
Realizador: Christopher Nolan
Argumento: Christopher Nolan
Com: Leonardo DiCaprio, Joseph Gordon-Levitt, Ellen Page, Ken Watanabe
Duração: 148 minutos


Review: Usualmente costumo ficar com o pé atrás quando se trata de filmes com uma hype gigantesca, e que geralmente acabam por ficar muito aquém das expectativas. Mas esse não é o caso de Inception, este é um dos poucos filmes que merece toda a hype que se tem instalado ao seu redor.

Vou evitar falar aqui do enredo do filme pois este é o seu ponto mais forte, e quanto menos se souber sobre ele antes de entrar na sala de cinema melhor será a experiência. Ao contrário dos outros filmes de Nolan, que eram visualmente muito interessantes mas de certa forma vazios, Inception oferece um banquete visual e ao mesmo tempo uma história complexa e interessante, sem se esquecer de cenas de acção intensas. O resultado final é um filme com quase 2 horas e meia mas que consegue prender o espectador desde a primeira cena até aos créditos finais.

Crucial também para este filme é o elenco. Leonardo DiCaprio lidera o grupo de estrelas e tem, mais uma vez, uma prestação brilhante, ainda que ao contrário de Shutter Island o peso do filme não assente apenas nos seus ombros sendo partilhado em parte com Ellen Page. O resto dos actores tem também prestações muito sólidas de onde se destacam principalmente Joseph Gordon-Levitt e Ellen Page, dois actores que merecem estar entre os grandes de Hollywood. Tom Hardy, um quase estreante nestas paragens, merece também destaque.

Em relação aos efeitos especiais são muito bons, como já tinha dito, e Nolan conseguiu fazer com que estes estejam apenas presentes nos momentos certos quando são necessários e nunca distraindo em demasia o espectador da história. A banda sonora, a cargo de Hans Zimmer, é como seria de esperar excelente e assenta que nem uma luva ao filme.

Inception está para o cinema de hoje, como The Matrix estava para 1999, é um enorme salto para a frente na forma de contar histórias e uma revolução para o género SciFi, em que geralmente se assume que uma história estranha e uns efeitos especiais giros chegam para entreter os adolescentes acéfalos. É de salientar a coragem dos estúdios de nos oferecerem este filme em pleno Verão, altura em que as comédias românticas de 2ª categoria e os filmes de acção de 3ª estão em alta.

Para concluir espero sinceramente que o filme tenha muitas nomeações para os Óscares, pois merece um lugar para melhor filme, melhor argumento original e melhor realizador, pelo menos. Inception já é um filme de culto, e sem duvida um dos melhores filmes de 2010.

Mário Barroso


Review: Ao contrário do meu co-blogger, eu não costumo ficar de pé atrás com a maioria dos filmes e sou relativamente fácil de contentar. No entanto, muito poucas vezes sou completamente arrebatada por um filme, ainda para mais um em relação ao qual tinha apenas uma relativa curiosidade, fruto de um trailer muito pouco revelador mas bastante interessante, aliado a um elenco à partida respeitável.

Inception é e será, provavelmente um dos melhores filmes de 2010, duas horas e meia que passam sem se dar por isso e que nos deixam a pensar muito depois de sair da sala de cinema. Palmas para Christopher Nolan que apresenta aqui uma genialidade e criatividade que sinceramente não sabia que ele possuía até ao momento. Sim, é verdade que quanto menos se souber do enredo antes de ver o filme melhor, até porque se considerarmos que cenas de acção, tiros, perseguições de automóveis, drama amoroso e a ocasional piadinha esperta estão sempre presentes no típico filme thriller/Sci-Fi, todo o conceito que os abrange (do qual me abstenho de falar…) e a forma com o filme o explora são no mínimo originais e acabam por elevar qualquer cena comum a um nível muito mais intenso e a roçar a genialidade, com os efeitos especiais e as batidas fortes da música de Zimmer a desempenharem brilhantemente o seu papel, tal como todo o leque de actores (uns mais outros menos conhecidos, mas nenhum atrás do outro). Já sabíamos que Leonardo Dicaprio tinha estofo para a coisa, mas ver Ellen Page, Ken Watanabe, Joseph Gordon-Levitt e Tom Hardy todos em equipa é igualmente bastante agradável. Um conselho útil: Inception é um filme que vive não só da sua grandeza mas também dos pormenores; a verdadeira experiência cinematográfica merece toda atenção que o espectador lhe puder dar.

Por fim, concordo totalmente com a iminência de um ou dois (ou mais) Óscares para Nolan, aliás tenho praticamente a certeza que a surpresa seria se não os houvesse.
Raquel Pereira


[MÚSICA] Bolas de Naftalina Vai ao Baile 2 - A intervenção do NANO

18 de julho de 2010 à(s) 12:18
Depois de um período de muita ocupação, o Bolas de Naftalina arranja finalmente tempo para se divertir e voltar ao bailarico. Com a colaboração especial de um Ipod Nano da família, esta 2ª edição do BNVB apresenta uma verdadeira miscelânia musical para encher bem o ouvido. Disfrutem!

(Agora com novidade: clicar na música para ouvir!)

- There There - Radiohead
-
Consoler of The Lonely - The Racounters
- About Face - Grizzly Bear
- Guilty - Youth Group
- Heavy - Collective Soul
-
Play with Fire - Cobra Verde
-
Pace is the Trick - Interpol
-
Every Day is Exactly the Same - Nine Inch Nails
- Scarecrow - Beck
- Agoraphobia - Incubus
-
Saturday Morning - Eels
- Fortress - Pinback
-
Is there a ghost - Band of Horses
- Sort of - Silversun Pickups
- With You In My Head - UNKLE ft. The Black Angels



Raquel Pereira

[LIVROS] Review - Este País Não é Para Velhos

à(s) 00:06
Autor: Cormac McCarthy
Título original: No Country for Old Men
Editora: Relógio D'Água
Páginas: 310 (no original)

Sinopse: Llewellyn Moss encontra uma carrinha cheia de cadáveres, um carregamento de heroína e dois milhões de dólares no banco de trás. Quando pega no dinheiro, dá início a uma cadeia de reacções de violência catastrófica que nem a lei pode controlar.

Opinião: “Este país não é para velhos” é um caso interessante de literatura. Cormac McCarthy não revolucionou o estilo policial/western mas fez questão de meter lá dentro todos os ingredientes para tornar este livro uma experiência especial conseguindo misturar, com excelência, o melhor do policial com o melhor do drama. A história gira à volta de Llewelyn Moss, um homem do campo que encontra uma mala com 2 milhões de dólares, despojos do tráfico de droga na fronteira do Texas com o México, e da sua fuga de Anton Chigurh, um assassino que tudo fará para ver Moss morto. Dentro deste âmbito da história não existe nada particularmente novo e o grande destaque vai mesmo para Chigurh que muito mais que o mau da fita é uma força do mal, insaciável e imparável, um ser psicopata amoral que representa todos os demónios que habitam aquelas terras áridas.

No outro lado do espectro encontramos o Xerife Bell, um veterano da II Guerra Mundial em luta constante com a modernidade. No inicio de cada capitulo o autor apresenta um monólogo de Bell em que este narra, de forma resignada, a sua impossibilidade em acompanhar os tempos modernos. É aqui que este livro é maior, na luta impossível de um homem velho e derrotado contra um mal que não conhece barreiras e contra o qual não possui quaisquer armas.

Este é o primeiro livro que li deste autor e não tinha qualquer ideia do que me esperava quando o comecei a ler, sabia apenas que o filme tinha ganho o Óscar para melhor filme, mas fiquei positivamente surpreendido. É um livro rápido, com bastante acção, mas também com personagens apuradas e diálogos com significado, agarrando o leitor desde a primeira página e só largando no final. A escrita é simples e eficaz como se pretende neste tipo de livros mas muito inteligente, e existe um excelente equilíbrio entre as cenas de acção e as partes mais dramáticas, deixando o leitor constantemente a querer saber o que vai acontecer a seguir. Fiquei muito contente com o livro e estou bastante ansioso por ler mais livros deste autor. O próximo será “A Estrada”, vencedor do prémio Pulitzer de 2007.

Uma pequena nota em relação à adaptação ao cinema do livro pelos irmãos Cohen. O filme é muito interessante e conta com grandes intrepertações, especialmente Javier Bardem que brilha na personagem de Chigurh. Muitas das cenas, especialmente no inicio são quase que uma fotocópia do livro, mas infelizmente foca-se principalmente na fuga de Llewelyn e na sua luta contra Chigurh, sendo que os monólogos de Bell foram praticamente omitidos e por isso a personagem está quase suprimida, não sendo tão forte o sentimento de impotência deste a realidade actual. Penso que se não tivesse lido o livro teria achado o enredo substancialmente mais interessante, mas de qualquer forma recomendo, especialmente para quem já tenho lido.


Mário Barroso

[LIVROS] Review - Clube de Combate

23 de junho de 2010 à(s) 22:09

Autor: Chuck Palahniuk

Título Original: Fight Club (1996)
Editora: Vintage
Páginas: 208

Sinopse: As experiências de um protagonista anónimo, um zé-ninguém com uma vida perfeitamente insignificante como funcionário de uma empresa de automóveis, responsável por determinar se a recolha de produtos defeituosos apresenta uma relação custo-benefício mais positiva que o aumento da taxa de mortalidade por acidentes de viação de "causa desconhecida". Uma identidade imposta pelo trabalho,um consumo obsessivo de mobília sueca e uma vida quase completamente passada a bordo de aviões em viagens de negócios, levam este homem a um estado de jet lag perpétuo e insónia aparentemente incurável. Inspirado pela opinião desesperada e algo irónica do seu médico, acaba por encontrar o alívio que procura na personificação de doente moribundo em vários grupos de apoio de doentes, onde descobre que ouvir as histórias dramáticas e chorar nos braços dos seus companheiros é a cura perfeita para semanas e semanas de insónia.
Pouco tempo depois, conhece Tyler Durden, um carismático individuo, anarco-niilista e com um ódio de morte à sociedade do consumo, ao materialismo e ao capitalismo. Juntos criam o Clube de Combate (Fight Club), sociedade underground e supostamente secreta onde homens de todas as classes sociais abdicam da sua identidade (e dinheiro) para passarem 5 horas a darem cabo uns dos outros à porrada, segundo um conjunto de regras que todos seguem religiosamente. Uma sociedade rapidamente tornada um culto á escala nacional e que rapidamente descamba em ataques cada vez mais elaborados à América corporativa, com o objectivo de destruição da civilização moderna como a conhecemos.


Review:
Segundo o autor, antes de todo o culto real à roda do livro, antes da estreia do filme (realizado por David Fincher e protagonizado por Brad Pitt e Edward Norton, numa fiel adaptação da história), antes da criação de Clubes de Combate ilegais nos EUA, no Brasil e pelo mundo fora, antes da apresentação do "look fight club" na colecção da Versace e D&G, antes dos jovens mudarem legalmente o seu nome para Tyler Durden, antes das conferências académicas para o estudo do livro na Universidade da Pensilvânia, antes do assédio do autor por editores de revistas e jornais que prentendiam encontrar o Clube de Combate mais próximo e para lá enviar um reportér infiltrado, antes do assédio do autor por editores de revistas e jornais a desancá-lo por afirmar que os Clubes de Combate não passavam de ficção, antes do frigorífico do autor estar completamente coberto de fotografias enviadas por fãs sorridentes de caras esmurradas e manietando amigos em ringues de boxe nos quintais de sua casa, antes de milhares de cartas de agradecimento por uma história que levou filhos/maridos/alunos a voltar a ler ou de desagrado pela invenção prévia de Clubes de Combate.........antes de tudo isto, Fight Club era apenas uma short-story de 7 páginas (publicada na compilação The Pursuit of Happiness e actualmente correspondente ao 6º capitulo do livro), inspirada numa luta num acampamento de Verão: apesar do olho negro e inchado, nenhum dos colegas de trabalho do autor lhe perguntou o que acontecera e este percebeu que basicamente "podes fazer qualquer coisa na tua vida privada, desde que te deixe tão ferido e marcado que ninguém queira saber os pormenores". O conceito surgia para colmatar a falta de "um novo modelo social para que os homens, exclusivamente, se reunissem e estivessem juntos e partilhassem as suas vidas, com uma estrutura, com papeis, com regras e tarefas, mas nada muito lamecha".


Para a reedição de Fight Club na forma de livro singular, Chuck adicionou à short-story as histórias dos amigos, desde a introdução de imagens subliminares de pornografia por entre os frames dos filmes da Disney à adulteração da comida de restaurantes requintados com temperos menos próprios e demasiado "pessoais". Na minha opinião, a combinação resulta numa leitura deveras interessante e tão estimulante para os que já tinham visto o filme como para os que nunca o viram, com situações bem humorísticas (ainda que de uma forma um bocado retorcida) e genialmente tresloucadas, e pérolas de conhecimento imperdíveis como como fazer nitroglicerina, como fazer napalm, como nunca devemos confiar num empregado de mesa, projector de cinema ou fabricante de sabonetes com olhos negros e dentes partidos, e por aí fora....E, último conselho, lê-lo na língua original é tão melhor de certeza absoluta.....


Raquel Pereira