[CINEMA] Review - Due Date (A Tempo e Horas)

14 de dezembro de 2010 à(s) 16:34

Realizador: Todd Philip
s
Argumento: Alan R. Cohen, Alan Freedland
Com: Robert Downey Jr., Zack Galifianakis, Michelle Monaghan, Jamie Foxx
Duraçã
o: 95 min

Review: Peter Highman (Robert Downey Jr.) tem que chegar a Los Angeles em cinco dias para poder assistir ao nascimento do seu primeiro filho. Devido a uma série de peripécias proporcionadas por Ethan Tremblay (Zack Galifianakis), um aspirante a actor, Peter acaba por ser alvejado, preso e proibido de viajar de avião. Sem bagagem, dinheiro e bilhete de identidade, a sua única esperança surge na forma de Ethan, que se oferece para o levar de Atlanta até Hollywood (onde espera vir a tornar-se um verdadeiro actor). Durante os dias seguintes, Peter irá arrepender-se da sua decisão, embarcando na viagem mais aterradora e agonizante da sua vida. Esta é a premissa do novo filme de Todd Philips a seguir ao brilhante The Hangover (A Ressaca), um filme de comédia no mesmo estilo do anterior, desta vez sobre uma alucinate road trip entre dois homens que acabam de se conhecer e que nada têm em comum, mas que se ajudam um ao outro quer seja para chegar a tempo ao nascimento do filho (Peter) ou para ter companhia durante uma viagem pela América com o objectivo de espalhar as cinzas do falecido pai (Ethan). Apesar de qualquer adaptação ter sido negada, as críticas mistas que o filme obteve referem muitas vezes as aparentes semelhanças do argumento com a comédia de John Huges realizada em 1987, Planes, Trains and Automobiles, onde dois conhecidos (um homem de família e um vendedor propenso a acidentes) partilham uma odisseia de desventuras para levar um deles para casa a tempo do jantar de Acção de Graças. Familiar?

Adaptação ou não, Due Date não é tão engraçado como The Hangover e poderia certamente oferecer mais. A história de uma das despedidas de solteiro mais alucinadas da história do cinema tinha o ritmo constante de comédia que Due Date não tem, e as situações eram levadas bem mais ao extremo do inverosímil, resultando numa comédia com C grande. Atenção, não estou a dizer que Due Date não é comédia de qualidade ou não entretém o espectador. Obviamente, o filme tem os seus momentos geniais (nomeadamente os estranhos hábitos nocturnos de Ethan e um descuido com uma arma carregada) e o seu grande trunfo na dupla Downey Jr. e Galifianakis, que sendo conhecidos por estilos completamente diferentes de comédia, interagem aqui de uma forma quase sempre brilhante. Galifianakis é um ponto garantido de humor na sua personagem caricaturada, um aspirante a actor, ingénuo, infantil e totalmente inapropriado, com uma obsessão pela sitcom americana Dois Homens e Meio (sim, o blog existe e não, o episódio não é verdadeiro…). Por outro lado, Downey Jr. apresenta uma personagem mais séria, com um humor mais sarcástico e por vezes irado, do qual passamos praticamente o filme todo a pensar quão coitado ele é. O filme vive, como não podia deixar de ser, inteiramente destas duas personagens (mais o adorável Sonny) com o resto a servir apenas com o pano de fundo (a mulher de Peter) e outras que nem como isso (não vejo outra utilidade na personagem de Foxx para a história a não ser proporcionar a piada do café…).

Resumindo, Due Date é um bom e eficiente filme de comédia, que talvez seja melhor aproveitado no conforto do lar à borla, para quem não acha que a experiência da sala de cinema é sempre melhor (como eu). Apenas um concelho: a ver Due Date, vejam definitivamente The Hangover (e mesmo até ao fim).
Raquel Pereira

[MÚSICA] - Ratatat

6 de dezembro de 2010 à(s) 16:58
Bem sei que não tem havido artista da semana nos últimos tempos, mas aproveito este momento, a propósito de nada, para dar a conhecer uma novidade no meu limitado conhecimento musical: os Ratatat (aparentemente pronuncia-se rat-uh-tat e avisa-se que as semelhanças com ratinhos cozinheiros fofinhos acabam precisamente nas primeiras letras do nome da banda).

Ratatat apresenta-nos os talentos do duo nova-iorquino Mike Stroud e Evan Mast, com o último igualmente responsável pela produção discográfica. Stroud e Mast conheceram-se quando eram estudantes, mas só começaram a trabalhar juntos em 2001, sob o nome artístico Cherry.

O álbum de estreia como os agora famosos Ratatat, intitulado com o mesmo nome da banda, foi escrito e gravado no apartamento de Mast e no PowerBook de Stroud, constituindo uma mistura inteiramente instrumental de guitarra, baixo e sintetizadores. Seventeen Years foi o primeiro single deste álbum, lançado sobre a alçada da editora de Mast e do irmão, a Audio Dregs. Mais tarde assinaram pela XL Recordings, que mantêm como editora até hoje. Após o álbum Ratatat, seguiram-se Classics (2006), LP3 (2008) e LP4 (2010). Respectivamente em 2004 e 2007, lançaram por conta própria o primeiro e segundo volumes de Ratatat Remixes.

São notórios pela atmosfera das suas performances ao vivo, muito semelhantes às das bandas de rock psicadélico dos anos 60, providenciando espectáculos de luzes e cores projectadas num ecrã com clips de filmes aleatórios à mistura. A vibe não podia assentar melhor ao tipo de música destes rapazes, uma parafernália electrónica cujo estilo é um pouco difícil de definir e que muitas vezes mais parece uma trip de cogumelos mágicos (e eu só ouvi isto na segurança do sótão de minha casa. Sem cogumelos), mas que no final é no mínimo agradável e no máximo sublime. Na minha opinião, faz parte daquele grupo de músicas que gostamos de por a tocar quando estamos entretidos com outra coisa qualquer (não a tripar), mas que de repente nos chama a atenção pelo quão fixe aquela música é. Muito bom, sem dúvida.

A título de curiosidade, os Ratatat têm integrado as tours de vários artistas conhecidos, tais como Bjork, Daft Punk, Interpol, Franz Ferdinand ou The Killers. Em Outubro de 2006, tornaram-se na primeira banda a realizar um espectáculo público no interior do Museu Guggenheim em Nova Iorque.

Portanto, estimado público, aqui os têm: os Ratatat!

Raquel Pereira