Realizador: Todd Philip
s Argumento: Alan R. Cohen, Alan Freedland
Com: Robert Downey Jr., Zack Galifianakis, Michelle Monaghan, Jamie Foxx
Duração: 95 min
Versão 0.3.1
s
Posted In
cinema,
due date,
review,
Robert Downey Jr.,
Zack Galifianakis
|
0
Lambidelas
|
Bem sei que não tem havido artista da semana nos últimos tempos, mas aproveito este momento, a propósito de nada, para dar a conhecer uma novidade no meu limitado conhecimento musical: os Ratatat (aparentemente pronuncia-se rat-uh-tat e avisa-se que as semelhanças com ratinhos cozinheiros fofinhos acabam precisamente nas primeiras letras do nome da banda). Ratatat apresenta-nos os talentos do duo nova-iorquino Mike Stroud e Evan Mast, com o último igualmente responsável pela produção discográfica. Stroud e Mast conheceram-se quando eram estudantes, mas só começaram a trabalhar juntos em 2001, sob o nome artístico Cherry.
O álbum de estreia como os agora famosos Ratatat, intitulado com o mesmo nome da banda, foi escrito e gravado no apartamento de Mast e no PowerBook de Stroud, constituindo uma mistura inteiramente instrumental de guitarra, baixo e sintetizadores. Seventeen Years foi o primeiro single deste álbum, lançado sobre a alçada da editora de Mast e do irmão, a Audio Dregs. Mais tarde assinaram pela XL Recordings, que mantêm como editora até hoje. Após o álbum Ratatat, seguiram-se Classics (2006), LP3 (2008) e LP4 (2010). Respectivamente em 2004 e 2007, lançaram por conta própria o primeiro e segundo volumes de Ratatat Remixes.
São notórios pela atmosfera das suas performances ao vivo, muito semelhantes às das bandas de rock psicadélico dos anos 60, providenciando espectáculos de luzes e cores projectadas num ecrã com clips de filmes aleatórios à mistura. A vibe não podia assentar melhor ao tipo de música destes rapazes, uma parafernália electrónica cujo estilo é um pouco difícil de definir e que muitas vezes mais parece uma trip de cogumelos mágicos (e eu só ouvi isto na segurança do sótão de minha casa. Sem cogumelos), mas que no final é no mínimo agradável e no máximo sublime. Na minha opinião, faz parte daquele grupo de músicas que gostamos de por a tocar quando estamos entretidos com outra coisa qualquer (não a tripar), mas que de repente nos chama a atenção pelo quão fixe aquela música é. Muito bom, sem dúvida.
A título de curiosidade, os Ratatat têm integrado as tours de vários artistas conhecidos, tais como Bjork, Daft Punk, Interpol, Franz Ferdinand ou The Killers. Em Outubro de 2006, tornaram-se na primeira banda a realizar um espectáculo público no interior do Museu Guggenheim em Nova Iorque.
Portanto, estimado público, aqui os têm: os Ratatat!
Raquel Pereira
Posted In
música,
ratatat
|
0
Lambidelas
|
Autor: Mary Roach
Editora: Penguin
Páginas: 304
A curiosidade para ler Stiff: The Curious Lives of Human Cadavers (ou A Vida Misteriosa dos Cadáveres – um titulo que soa bem melhor no original, ao estilo Benjamin Button…) surgiu da análise de uma de muitas listas de livros que supostamente devemos ler antes de morrer. A premissa de uma viagem pelas várias utilizações de cadáveres humanos despertou a minha curiosidade mórbida (todos a temos, não duvidem) para ler o livro de Roach, a minha primeira incursão pela não-ficção.
Primeiro que tudo, há que tirar o chapéu a Mary Roach, que (lá está) tem curiosidade mórbida a rodos, no seu caso bastante acentuada, dada a sua longa pesquisa pelos meandros do mundo científico à descoberta das muitas histórias protagonizadas por cadáveres pelo mundo fora. E claro, há ainda que admirar o estômago forte que lhe permite assistir contentemente a muitas dessas situações no meio do palco onde se desenrolam, ainda que como espectadora, sem qualquer pudor para fazer as perguntas mais incómodas. Com uma capacidade de escrita e uma veia de humor negro que consegue manter-nos acordados (e interessados) perante o relato de puros factos científicos (com especial atenção a notas de rodapé impagáveis, às quais damos graças pelos devaneios da autora que muitas vezes não estão propriamente relacionados com o tema…), Roach apresenta-nos a “juicy stuff”, os pormenores sórdidos, os mitos e os factos em volta do processo de decomposição humana, das experiências de dissecação e o roubo de sepulturas, dos testes de automóveis e de balística, da doação de órgãos e transplantação, da utilização medicinal de partes humanas (sim, canibalismo!) e das várias opções para o último local de descanso dos nossos “restos mortais”.
É claramente uma obsessão pouco comum e acabo por me questionar se Roach será totalmente normal (ela própria chega a referir algumas reacções constrangedoras ao tema), mas quem sou eu para julgar se comprei e li o livro de livre e espontânea vontade? Stiff é provavelmente o livro que mais me levou a fazer caretas de repugnância para as páginas, mas é capaz de ser um dos mais interessantes livros de não ficção que virei a ler. Para qualquer pessoa que o deseje saber (e cuidado com o que se deseja), este livro é como que uma brochura para o futuro do nosso querido cadáver: doação à ciência? Um enterro ecológico? Plastinação? Está tudo aqui ao vosso dispor, para o bem ou para o mal.
Raquel Pereira
Posted In
livros,
mary roach,
review,
stiff
|
0
Lambidelas
|
Posted In
música,
playlist
|
0
Lambidelas
|

Posted In
cinema,
jesse eisenberg,
review,
ruben fleischer,
woody harrelson,
zombieland
|
0
Lambidelas
|

Posted In
cinema,
david slade,
ellen page,
hard candy,
review
|
0
Lambidelas
|
Realizador: Rian John
son
Argumento: Rian Johnson
Com: Adrien Brody, Mark Ruffalo, Rachel Weisz, Rinko Kikuchi
Duração: 114 min
Review: Irmãos Bloom conta a história de Stephen e Bloom, dois irmãos que desde cedo descobrem e exploram a sua vocação de vigaristas com grande sucesso: Stephen (Mark Ruffalo), o mais velho, como o mastermind por detrás de cada plano mirabolante que delineia como se de um romance russo se tratasse, e Bloom (Adrien Brody), o mais novo e a constante personagem das histórias de Stephen, representando o eterno anti-herói. Em conjunto com Bang Bang (Rinko Kikuchi), uma misteriosa mulher japonesa cuja forma de expressão, ao invés da fala, assenta numa enorme aptidão para explodir coisas, os irmãos viajam pelo mundo granjeando a sua reputação para a arte da vigarice. Quando Bloom atinge uma espécie de crise de perda de identidade ao ponto de não conseguir distinguir a sua vida real da das personagens que interpreta, decide desistir do negócio. No entanto, é convencido por Stephen a embarcar num último trabalho, tendo como alvo Penelope Stamp (Rachel Weisz), a bela, excêntrica e solitária herdeira de uma das propriedades mais ricas de New Jersey, fotógrafa epiléptica e coleccionadora dos mais variados hobbies. As únicas coisas que poderão estragar a “vigarice perfeita e derradeira” dos irmãos serão a sede de vingança do seu mentor e agora arqui-inimigo Diamond Dog, a imprevisibilidade de Penelope (definitivamente não a vítima usual) e a possibilidade de Bloom, que sempre deixou o amor passar ao lado da sua vida, se estar a apaixonar pela sua vítima.
Irmãos Bloom não é um mau filme. É aproximadamente duas horas de entretenimento que, para o espectador, se ficam pelos créditos finais e não vão muito mais além. Possui sem dúvida os seus pontos interessantes: a banda sonora é no mínimo genial, moderna numa história que se passa nos dias de hoje mas parece de outros tempos, e têm certamente os seus momentos de humor bem conseguidos (curiosamente devidos quase exclusivamente às mulheres do filme). Mas ganha muito mais pela movimentação do elenco pela história do que pelo próprio enredo, que chega a ser confuso no encadeamento e pouco perceptível na trama condutora. Rachel Weisz é sublime no seu papel, sempre com ar de menina bonita mas capaz de fazer malabarismo com motosserras a trabalhar, uma mulher desligada da realidade fora da sua grande mansão e dos seus hobbies que se vê numa aventura no mundo exterior tão excitante como uma ida à loja de doces. Quanto ao resto do elenco, Rinko Kikuchi mostra, mais uma vez, que não é preciso falar para se fazer notar no “palco” (e não só por causa do barulho das explosões) e Ruffalo apresenta-nos um papel competente com o swing suficiente de um vigarista nato. Menos palmas vão para Adrien Brody, que a mim me parece sempre num estado de quase-total passividade perante o que quer que esteja a acontecer.
No geral, Irmãos Bloom é uma tarde bem passada que não temos muita tendência a comentar e recordar para a posterioridade, mas é mesmo assim um filme bastante agradável para ser visto por todos e mais alguns.
Raquel Pereira
Posted In
adrien brody,
brothers bloom,
cinema,
rachel wiesz,
review,
rian johnson
|
0
Lambidelas
|
Posted In
cinema,
dakota fanning,
kristen stewart,
review,
the runaways
|
0
Lambidelas
|
Realizador: Dar
ren Aronofsky
Argumento: Hubert Shelby Jr. (livro); Hubert Shelby Jr., Darren Aronofsky (argumento)
Com: Ellen Burstyn, Jared Leto, Jennifer Connelly, Marlon Wayans
Duração: 102 min
Review: Requiem for a Dream baseia-se no romance homónimo de Hubert Shelby Jr., escrito em 1978, com argumento igualmente escrito por Shelby Jr. em conjunto com Darren Aronofsky, também realizador da película. A história segue o período do Verão, Outono e Inverno na vida de Sara Goldfarb (Ellen Burstyn), o seu filho Harry (Jared Leto), a namorada deste (Jennifer Connelly) e um amigo (Marlon Wayans), todos lutando com diferentes formas de dependência que acabam por os aprisionar num mundo de alucinação e desespero que finalmente se funde com uma realidade devastadora e se transforma num pesadelo ao vivo e a cores do qual é impossível acordar.
O filme foi altamente aclamado pela critica cinematográfica, apresentando diversos pontos fortes: a música belíssima composta por Clint Mansell e tocada pelo Kronos Quartet (especialmente a composição “Lux Aeterna”), utilizada posteriormente na banda sonora de vários outros filmes como O Código Da Vinci, Eu Sou Lenda ou a série Lost; as performances dos actores, com especial destaque para Burstyn (nomeada ao Óscar), que retrata de forma brilhante as consequências da vida de isolamento e tédio de uma viúva cuja distracção é levar a cabo uma dieta de comprimidos multicoloridos e de eficácia duvidosa para atingir a silhueta perfeita de há muitos anos atrás e assim surpreender no programa de televisão para o qual foi hipoteticamente convidada; e a própria técnica de filmagem (frequentemente chamada hip hop montage, consiste na montagem de shots extremamente curtos resultando na progressão de cenas a grande velocidade) – a titulo de curiosidade, enquanto num filme médio de 100 minutos são feitos 600 a 700 cortes de cenas, Requiem for a Dream apresenta mais de 2000!
Sim, eu sei que o filme já tem uns largos 10 anos de existência, mas é possível que, como para mim, Requiem for a Dream seja para vocês apenas o nome de um filme do qual não sabem a história mas que não se importariam de ver se a ocasião se proporcionasse. Pois bem, a ocasião proporcionou-se para mim e ainda bem, porque uma experiência cinematográfica que nos deixa desconfortavelmente pregados à cadeira puxando os lábios nervosamente perante o choque, a bizarria, a repugnância e o interesse mórbido, é, no mínimo, uma experiência inesquecível e bem melhor que a que se obtém com um filme que esquecemos 5 minutos depois de o vermos; o facto de ser difícil expressar uma opinião coerente sobre se se gosta ou não de Requiem for a Dream, atesta pelo menos à sua irreverência e capacidade de afectar o espectador, não o deixando indiferente (que, no final de contas, é o que se quer).
Raquel Pereira
Posted In
cinema,
darren aronofsky,
jared leto,
Requiem for a dream,
review
|
0
Lambidelas
|