[MÚSICA] Bolas de Naftalina Vai ao Baile 2 - A intervenção do NANO

18 de julho de 2010 à(s) 12:18
Depois de um período de muita ocupação, o Bolas de Naftalina arranja finalmente tempo para se divertir e voltar ao bailarico. Com a colaboração especial de um Ipod Nano da família, esta 2ª edição do BNVB apresenta uma verdadeira miscelânia musical para encher bem o ouvido. Disfrutem!

(Agora com novidade: clicar na música para ouvir!)

- There There - Radiohead
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Consoler of The Lonely - The Racounters
- About Face - Grizzly Bear
- Guilty - Youth Group
- Heavy - Collective Soul
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Play with Fire - Cobra Verde
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Pace is the Trick - Interpol
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Every Day is Exactly the Same - Nine Inch Nails
- Scarecrow - Beck
- Agoraphobia - Incubus
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Saturday Morning - Eels
- Fortress - Pinback
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Is there a ghost - Band of Horses
- Sort of - Silversun Pickups
- With You In My Head - UNKLE ft. The Black Angels



Raquel Pereira

[LIVROS] Review - Este País Não é Para Velhos

à(s) 00:06
Autor: Cormac McCarthy
Título original: No Country for Old Men
Editora: Relógio D'Água
Páginas: 310 (no original)

Sinopse: Llewellyn Moss encontra uma carrinha cheia de cadáveres, um carregamento de heroína e dois milhões de dólares no banco de trás. Quando pega no dinheiro, dá início a uma cadeia de reacções de violência catastrófica que nem a lei pode controlar.

Opinião: “Este país não é para velhos” é um caso interessante de literatura. Cormac McCarthy não revolucionou o estilo policial/western mas fez questão de meter lá dentro todos os ingredientes para tornar este livro uma experiência especial conseguindo misturar, com excelência, o melhor do policial com o melhor do drama. A história gira à volta de Llewelyn Moss, um homem do campo que encontra uma mala com 2 milhões de dólares, despojos do tráfico de droga na fronteira do Texas com o México, e da sua fuga de Anton Chigurh, um assassino que tudo fará para ver Moss morto. Dentro deste âmbito da história não existe nada particularmente novo e o grande destaque vai mesmo para Chigurh que muito mais que o mau da fita é uma força do mal, insaciável e imparável, um ser psicopata amoral que representa todos os demónios que habitam aquelas terras áridas.

No outro lado do espectro encontramos o Xerife Bell, um veterano da II Guerra Mundial em luta constante com a modernidade. No inicio de cada capitulo o autor apresenta um monólogo de Bell em que este narra, de forma resignada, a sua impossibilidade em acompanhar os tempos modernos. É aqui que este livro é maior, na luta impossível de um homem velho e derrotado contra um mal que não conhece barreiras e contra o qual não possui quaisquer armas.

Este é o primeiro livro que li deste autor e não tinha qualquer ideia do que me esperava quando o comecei a ler, sabia apenas que o filme tinha ganho o Óscar para melhor filme, mas fiquei positivamente surpreendido. É um livro rápido, com bastante acção, mas também com personagens apuradas e diálogos com significado, agarrando o leitor desde a primeira página e só largando no final. A escrita é simples e eficaz como se pretende neste tipo de livros mas muito inteligente, e existe um excelente equilíbrio entre as cenas de acção e as partes mais dramáticas, deixando o leitor constantemente a querer saber o que vai acontecer a seguir. Fiquei muito contente com o livro e estou bastante ansioso por ler mais livros deste autor. O próximo será “A Estrada”, vencedor do prémio Pulitzer de 2007.

Uma pequena nota em relação à adaptação ao cinema do livro pelos irmãos Cohen. O filme é muito interessante e conta com grandes intrepertações, especialmente Javier Bardem que brilha na personagem de Chigurh. Muitas das cenas, especialmente no inicio são quase que uma fotocópia do livro, mas infelizmente foca-se principalmente na fuga de Llewelyn e na sua luta contra Chigurh, sendo que os monólogos de Bell foram praticamente omitidos e por isso a personagem está quase suprimida, não sendo tão forte o sentimento de impotência deste a realidade actual. Penso que se não tivesse lido o livro teria achado o enredo substancialmente mais interessante, mas de qualquer forma recomendo, especialmente para quem já tenho lido.


Mário Barroso