Realizador: Rian John
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Argumento: Rian Johnson
Com: Adrien Brody, Mark Ruffalo, Rachel Weisz, Rinko Kikuchi
Duração: 114 min
Review: Irmãos Bloom conta a história de Stephen e Bloom, dois irmãos que desde cedo descobrem e exploram a sua vocação de vigaristas com grande sucesso: Stephen (Mark Ruffalo), o mais velho, como o mastermind por detrás de cada plano mirabolante que delineia como se de um romance russo se tratasse, e Bloom (Adrien Brody), o mais novo e a constante personagem das histórias de Stephen, representando o eterno anti-herói. Em conjunto com Bang Bang (Rinko Kikuchi), uma misteriosa mulher japonesa cuja forma de expressão, ao invés da fala, assenta numa enorme aptidão para explodir coisas, os irmãos viajam pelo mundo granjeando a sua reputação para a arte da vigarice. Quando Bloom atinge uma espécie de crise de perda de identidade ao ponto de não conseguir distinguir a sua vida real da das personagens que interpreta, decide desistir do negócio. No entanto, é convencido por Stephen a embarcar num último trabalho, tendo como alvo Penelope Stamp (Rachel Weisz), a bela, excêntrica e solitária herdeira de uma das propriedades mais ricas de New Jersey, fotógrafa epiléptica e coleccionadora dos mais variados hobbies. As únicas coisas que poderão estragar a “vigarice perfeita e derradeira” dos irmãos serão a sede de vingança do seu mentor e agora arqui-inimigo Diamond Dog, a imprevisibilidade de Penelope (definitivamente não a vítima usual) e a possibilidade de Bloom, que sempre deixou o amor passar ao lado da sua vida, se estar a apaixonar pela sua vítima.
Irmãos Bloom não é um mau filme. É aproximadamente duas horas de entretenimento que, para o espectador, se ficam pelos créditos finais e não vão muito mais além. Possui sem dúvida os seus pontos interessantes: a banda sonora é no mínimo genial, moderna numa história que se passa nos dias de hoje mas parece de outros tempos, e têm certamente os seus momentos de humor bem conseguidos (curiosamente devidos quase exclusivamente às mulheres do filme). Mas ganha muito mais pela movimentação do elenco pela história do que pelo próprio enredo, que chega a ser confuso no encadeamento e pouco perceptível na trama condutora. Rachel Weisz é sublime no seu papel, sempre com ar de menina bonita mas capaz de fazer malabarismo com motosserras a trabalhar, uma mulher desligada da realidade fora da sua grande mansão e dos seus hobbies que se vê numa aventura no mundo exterior tão excitante como uma ida à loja de doces. Quanto ao resto do elenco, Rinko Kikuchi mostra, mais uma vez, que não é preciso falar para se fazer notar no “palco” (e não só por causa do barulho das explosões) e Ruffalo apresenta-nos um papel competente com o swing suficiente de um vigarista nato. Menos palmas vão para Adrien Brody, que a mim me parece sempre num estado de quase-total passividade perante o que quer que esteja a acontecer.
No geral, Irmãos Bloom é uma tarde bem passada que não temos muita tendência a comentar e recordar para a posterioridade, mas é mesmo assim um filme bastante agradável para ser visto por todos e mais alguns.
Raquel Pereira
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