[LIVROS] Review - Stiff: The Curious Lives of Human Cadavers

16 de novembro de 2010 à(s) 21:45

Autor: Mary Roach
Editora: Penguin
Páginas: 304

A curiosidade para ler Stiff: The Curious Lives of Human Cadavers (ou A Vida Misteriosa dos Cadáveres – um titulo que soa bem melhor no original, ao estilo Benjamin Button…) surgiu da análise de uma de muitas listas de livros que supostamente devemos ler antes de morrer. A premissa de uma viagem pelas várias utilizações de cadáveres humanos despertou a minha curiosidade mórbida (todos a temos, não duvidem) para ler o livro de Roach, a minha primeira incursão pela não-ficção.

Primeiro que tudo, há que tirar o chapéu a Mary Roach, que (lá está) tem curiosidade mórbida a rodos, no seu caso bastante acentuada, dada a sua longa pesquisa pelos meandros do mundo científico à descoberta das muitas histórias protagonizadas por cadáveres pelo mundo fora. E claro, há ainda que admirar o estômago forte que lhe permite assistir contentemente a muitas dessas situações no meio do palco onde se desenrolam, ainda que como espectadora, sem qualquer pudor para fazer as perguntas mais incómodas. Com uma capacidade de escrita e uma veia de humor negro que consegue manter-nos acordados (e interessados) perante o relato de puros factos científicos (com especial atenção a notas de rodapé impagáveis, às quais damos graças pelos devaneios da autora que muitas vezes não estão propriamente relacionados com o tema…), Roach apresenta-nos a “juicy stuff”, os pormenores sórdidos, os mitos e os factos em volta do processo de decomposição humana, das experiências de dissecação e o roubo de sepulturas, dos testes de automóveis e de balística, da doação de órgãos e transplantação, da utilização medicinal de partes humanas (sim, canibalismo!) e das várias opções para o último local de descanso dos nossos “restos mortais”.

É claramente uma obsessão pouco comum e acabo por me questionar se Roach será totalmente normal (ela própria chega a referir algumas reacções constrangedoras ao tema), mas quem sou eu para julgar se comprei e li o livro de livre e espontânea vontade? Stiff é provavelmente o livro que mais me levou a fazer caretas de repugnância para as páginas, mas é capaz de ser um dos mais interessantes livros de não ficção que virei a ler. Para qualquer pessoa que o deseje saber (e cuidado com o que se deseja), este livro é como que uma brochura para o futuro do nosso querido cadáver: doação à ciência? Um enterro ecológico? Plastinação? Está tudo aqui ao vosso dispor, para o bem ou para o mal.

Raquel Pereira

[MÚSICA] Bolas de Naftalina Vai ao Baile 5 - Edição Natal Alternativo

14 de novembro de 2010 à(s) 13:03
Ahhhhhh ainda nem a meio de Novembro vamos e já temos de gramar com versões oleosas do White Christmas pela Mariah Carey e respectivos sucedâneos... que alegria... not. Portanto O Bolas de Naftalina vai ao baile na véspera de Natal com uma playlist que os paizinhos provavelmente não vão gostar. Desfrutai!


[CINEMA] Review - Zombieland (Bem-vindo à Zombieland)

7 de novembro de 2010 à(s) 16:03

Realizador: Ruben Fleischer
Argumento: Rhett Reese, Paul Wernick
Com: Jesse Eisenberg, Woody Harrelson, Emma Stone, Abigail Breslin, Bill Murray
Duração: 88 min

Review: Zombieland é bem capaz de ser um dos melhores filmes de comédia de terror que já vi, se possível suplantando o incomparável humor inglês que criou Shawn of the Dead. Uma pequena rodagem de 42 dias e um filme de menos de hora e meia conseguem perfeitamente encher-nos as medidas em termos de violência, gore, momentos WTF e gargalhadas sentidas, o que só abona a favor desta pequena peça de cinema.

O cenário é típico: a população terrestre foi devastada quase na totalidade por um vírus aparentemente relacionado com a doença das vacas loucas, tornando-a numa horda de zombies sedentos por carne humana. Apenas um punhado de humanos resiste, incluindo Columbus (Eisenberg), um estudante da universidade do Texas que tenta viajar pela América infestada até à sua casa em Columbus, Ohio, onde espera encontrar os pais vivos. Columbus é o típico geek outsider que nunca consegue a rapariga e que passa o tempo a jogar World of Warcraft e que agora tira proveito das suas várias fobias em prol do cumprimento de uma lista de regras de sobrevivência na “Terra dos Zombies”. Na sua viagem juntam-se-lhe Tallahassee (Harrelson), um cowboy bad-ass cuja única determinação, para além do extermínio de zombies, é encontrar o último Twinkie à face da Terra, e as irmãs Wichita e Little Rock (Stone e Breslin), uma dupla solitária que tenta chegar a um dos únicos locais livres de mortos-vivos.

Columbos vai assim narrando a sua aventura, nunca se esquecendo de aconselhar o espectador incauto (exercitar-se, “disparar” sempre duas vezes, verificar os lugares detrás do carro, não ser um herói….a maioria do tempo). No meio de diálogos brilhantes sempre vamos tendo o ocasional confronto com um monstro sedento a grunhir e a vomitar sangue ao qual contentemente arrancamos um pedaço por via de caçadeira, banjo, porta de carro ou até piano em queda livre. A banda sonora também não é nada má; For Whom the Bell Tolls dos Metallica assenta que nem uma luva às primeiras cenas em slowmotion em que zombies, pessoas e objectos são projectados de encontro aos créditos iniciais. E somos presenteados com um cameo de Bill Murray (que parece ultimamente ter encontrado um estilo fixo de participação em filmes) interpretando uma versão parodiada de si mesmo e que obviamente só pode levar a momentos preciosos e bizarros (a titulo de curiosidade, este foi um papel oferecido a diversos outros actores como Joe Pesci, Mark Hamill, Dwayne Johnson, Kevin Bacon, Jean-Claude Van Damme e Matthew MaConaughey).
Um bom filme de entretenimento a não perder, uma lufada de ar fresco na paródia ao terror depois de 300 mil filmes do Scary Movie, onde o teor das piadas chega a ser bem mais inteligente. “Welcome to the United States of Zombieland”.


Raquel Pereira