[LIVROS] Review - Clube de Combate

23 de junho de 2010 à(s) 22:09

Autor: Chuck Palahniuk

Título Original: Fight Club (1996)
Editora: Vintage
Páginas: 208

Sinopse: As experiências de um protagonista anónimo, um zé-ninguém com uma vida perfeitamente insignificante como funcionário de uma empresa de automóveis, responsável por determinar se a recolha de produtos defeituosos apresenta uma relação custo-benefício mais positiva que o aumento da taxa de mortalidade por acidentes de viação de "causa desconhecida". Uma identidade imposta pelo trabalho,um consumo obsessivo de mobília sueca e uma vida quase completamente passada a bordo de aviões em viagens de negócios, levam este homem a um estado de jet lag perpétuo e insónia aparentemente incurável. Inspirado pela opinião desesperada e algo irónica do seu médico, acaba por encontrar o alívio que procura na personificação de doente moribundo em vários grupos de apoio de doentes, onde descobre que ouvir as histórias dramáticas e chorar nos braços dos seus companheiros é a cura perfeita para semanas e semanas de insónia.
Pouco tempo depois, conhece Tyler Durden, um carismático individuo, anarco-niilista e com um ódio de morte à sociedade do consumo, ao materialismo e ao capitalismo. Juntos criam o Clube de Combate (Fight Club), sociedade underground e supostamente secreta onde homens de todas as classes sociais abdicam da sua identidade (e dinheiro) para passarem 5 horas a darem cabo uns dos outros à porrada, segundo um conjunto de regras que todos seguem religiosamente. Uma sociedade rapidamente tornada um culto á escala nacional e que rapidamente descamba em ataques cada vez mais elaborados à América corporativa, com o objectivo de destruição da civilização moderna como a conhecemos.


Review:
Segundo o autor, antes de todo o culto real à roda do livro, antes da estreia do filme (realizado por David Fincher e protagonizado por Brad Pitt e Edward Norton, numa fiel adaptação da história), antes da criação de Clubes de Combate ilegais nos EUA, no Brasil e pelo mundo fora, antes da apresentação do "look fight club" na colecção da Versace e D&G, antes dos jovens mudarem legalmente o seu nome para Tyler Durden, antes das conferências académicas para o estudo do livro na Universidade da Pensilvânia, antes do assédio do autor por editores de revistas e jornais que prentendiam encontrar o Clube de Combate mais próximo e para lá enviar um reportér infiltrado, antes do assédio do autor por editores de revistas e jornais a desancá-lo por afirmar que os Clubes de Combate não passavam de ficção, antes do frigorífico do autor estar completamente coberto de fotografias enviadas por fãs sorridentes de caras esmurradas e manietando amigos em ringues de boxe nos quintais de sua casa, antes de milhares de cartas de agradecimento por uma história que levou filhos/maridos/alunos a voltar a ler ou de desagrado pela invenção prévia de Clubes de Combate.........antes de tudo isto, Fight Club era apenas uma short-story de 7 páginas (publicada na compilação The Pursuit of Happiness e actualmente correspondente ao 6º capitulo do livro), inspirada numa luta num acampamento de Verão: apesar do olho negro e inchado, nenhum dos colegas de trabalho do autor lhe perguntou o que acontecera e este percebeu que basicamente "podes fazer qualquer coisa na tua vida privada, desde que te deixe tão ferido e marcado que ninguém queira saber os pormenores". O conceito surgia para colmatar a falta de "um novo modelo social para que os homens, exclusivamente, se reunissem e estivessem juntos e partilhassem as suas vidas, com uma estrutura, com papeis, com regras e tarefas, mas nada muito lamecha".


Para a reedição de Fight Club na forma de livro singular, Chuck adicionou à short-story as histórias dos amigos, desde a introdução de imagens subliminares de pornografia por entre os frames dos filmes da Disney à adulteração da comida de restaurantes requintados com temperos menos próprios e demasiado "pessoais". Na minha opinião, a combinação resulta numa leitura deveras interessante e tão estimulante para os que já tinham visto o filme como para os que nunca o viram, com situações bem humorísticas (ainda que de uma forma um bocado retorcida) e genialmente tresloucadas, e pérolas de conhecimento imperdíveis como como fazer nitroglicerina, como fazer napalm, como nunca devemos confiar num empregado de mesa, projector de cinema ou fabricante de sabonetes com olhos negros e dentes partidos, e por aí fora....E, último conselho, lê-lo na língua original é tão melhor de certeza absoluta.....


Raquel Pereira

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