Realizador: Tomas Alfredson
Argumento: John Ajvide Lindqvist (Livro e argumento)
Com: Kåre Hedebrant, Lina Leandersson
Duração: 115 min
Argumento: John Ajvide Lindqvist (Livro e argumento)
Com: Kåre Hedebrant, Lina Leandersson
Duração: 115 min
Review: Let the Right One In, filme sueco que ganhou cerca de 60 prémios em festivais de cinema, conta a história do desenvolvimento da relação de um rapaz de 12 anos, Oskar, com um(a) vampiro(a), Eli, que há muito não passa dos 12 anos.
Apesar da premissa ser original, o resultado final dificilmente poderia ser pior. O filme, que se estende por quase 2 horas, parece mais uma tour de force artística do que propriamente uma longa-metragem. O enredo, que já por si é minimalista a níveis nunca antes vistos, é atirado para uma abundância de cenas supérfluas e desprovidas de vida que em nada ajudam o filme. É impossível não notar que tudo isto é feito de forma intencional, no entanto não consigo imaginar qualquer cenário em que alguém tenha achado que esta história era suficientemente interessante para fazer alguma mais que uma curta-metragem dela.
Alem do enredo ser totalmente desprovido de acção, suspense ou qualquer outro aspecto que o possa tornar suportável durante 120 minutos, a maior parte das cenas não faz qualquer sentido. Se aprendi algo com este filme é que na Suécia matar pessoas na rua e pendura-las em árvores não causa qualquer confusão aos habitantes nem à policia; nem mesmo quando a pilha de cadáveres se vai acumulando existe uma mísera investigação criminal. Obviamente que o objectivo do filme não é ser o CSI, e não é isso que se pede, mas no meio de tantos minutos de cenas que em nada contribuem para a história ter uma que efectivamente podia contribuir para a viabilidade da história não tinha incomodado assim tanto.
A questão seguinte é a das personagens que não se parecem com nada que exista no planeta terra, sendo que a maioria, e muito especialmente Oskar (que claramente não sabe utilizar um lenço para se assoar ou fechar a boca para que a saliva fique dentro desta), parecem sofrer de um atraso mental grave. É-me completamente impossível estabelecer qualquer relação pessoal com qualquer uma das personagens, é quase impossível imaginar aquelas pessoas como seres humanos funcionais. A culpa não me parece que seja dos actores mas sim de quem escreveu o argumento. Ainda assim é de mencionar que nenhum dos actores é especialmente brilhante, são competentes e ficam por aí.
Para uma longa-metragem, o filme simplesmente não tem enredo, cenários ou qualquer sentido de direcção. Até ao momento ainda não consegui perceber qual era o objectivo do realizador e argumentista. Como filme sobre crianças traumatizadas não acrescentou nada de novo ao género, muito pelo contrário, é uma história demasiadas vezes contada em filmes e livros. Como filme de vampiros é uma catástrofe visto que o facto de Eli ser um vampiro é um mero detalhe, algo que quase se consegue esquecer, podia ser uma criança com uma doença rara e o filme era exactamente o mesmo. Os planos constantes de ruas mal iluminadas e neve a cair, acompanhadas com música orquestral perdem o significado ao fim das primeiras 10 vezes. O golpe final foi a ideia de que grandes planos das caras dos personagens esforçando-se para mostrar sentimentos que não estão presentes no filme seria o mais indicado para substituir diálogos.
Os fãs (talvez fanáticos seja mais indicado) do filme dirão que o filme é excelente, as personagens bem construídas, o ambiente enclausurante da Suécia uma obra-prima e os actores a cereja no topo do bolo. Infelizmente eu não consigo ver nada disso, o que eu vejo é um filme que tinha muito potencial mas que se perde em pretensiosismo indie e cujo resultado é uma longa sequência de cenas entorpecidas construídas sobre um enredo inexistente onde qualquer réstia de suspense é substituída pela previsibilidade e pelo absurdo.
Mário Barroso

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