Autor: Joh
n Connolly
Editora: Hodder
Páginas: 596
Sinopse: Charlie Parker é um investigador privado que vive assombrado pela morte da mulher e da filha às mãos de um serial-killer e pelo sentimento de culpa perpétuo em relação a todas as vítimas, incluindo a sua família, que não conseguiu salvar. Apesar de ter reconstruído a sua vida familiar, este precário equilíbrio é posto em causa perante o desaparecimento e possível homicídio da prima do seu melhor amigo e companheiro de negócios, uma jovem prostituta das ruas de Nova Iorque que se vê no sítio errado à hora errada. Parker junta-se à investigação empreendida pelo seu colega Louis para encontrar o seu ente querido e vingar a sua possível morte. O caminho que vão percorrer levá-los-á ao encontro de uma lenda sobrenatural e a busca por um artefacto mítico de natureza demoníaca, levada a cabo por uma “organização secreta” liderada pela assustadora e inumana figura de Brightwell e que não olha a meios para atingir os seus fins, por mais brutalidade e devastação que seja necessária.
Review: Infelizmente só quando já ia quase a meio deste livro é que me apercebi que ele não só fazia parte de uma série literária como constituía um dos seus últimos tomos. Felizmente, apercebi-me também que a leitura sequencial não é propriamente uma obrigação no género policial (à parte a ocasional referência passada cujos pormenores nos escapam) e, quando muito, decerto me despertou a curiosidade para ler pelo menos o primeiro dos livros – Every Dead Thing – que constitui a génese do percurso futuro da personagem principal e que, aparentemente, é o melhor ponto de partida para começar a descobrir a série Charlie Parker ou mesmo a obra total de Connolly.
Como policial, The Black Angel cumpre os seus requisitos de acção, mistério e suspence, para além de uma quantidade razoável de sangue e ossos, juntando uma componente sobrenatural com a já comum ligação religiosa, ainda que os fanáticos neste caso sejam maléficos com M maiúsculo e aparentemente muito pouco humanos.
Ainda que, na minha opinião, o livro em si não seja propriamente arrebatador, possui um ritmo interessante e cativante e uma linguagem fluida (mesmo em inglês), muito ao jeito dos brilhantes Vista pela Última Vez (Gone Baby Gone) e Prenúncio de Chuva (Prayers for Rain) de Dennis Lehane, até com uma certa sobreposição no heróis-detectives-privados de ambas as histórias, se bem que Parker seja infinitamente mais atormentado.
Outros pontos interessantes são a própria lenda que dá origem ao título do livro, e todos os indivíduos a ela ligados desde a sua criação até ao presente, criando o pano de fundo sobrenatural para uma investigação brutalmente real, e o cenário do showdown final (o Ossuário de Sedlec), deslumbrante e magnificente mas completamente sinistro e perturbador na sua essência, que, sim, existe mesmo.
Raquel Pereira
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