[CINEMA] Review - Requiem for a Dream (A Vida Não é Sonho)

8 de setembro de 2010 à(s) 15:16

Realizador: Darren Aronofsky
Argumento:
Hubert Shelby Jr. (livro); Hubert Shelby Jr., Darren Aronofsky (argumento)
Com: Ellen Burstyn, Jared Leto, Jennifer Connelly, Marlon Wayans
Dura
ção: 102 min

Review: Requiem for a Dream baseia-se no romance homónimo de Hubert Shelby Jr., escrito em 1978, com argumento igualmente escrito por Shelby Jr. em conjunto com Darren Aronofsky, também realizador da película. A história segue o período do Verão, Outono e Inverno na vida de Sara Goldfarb (Ellen Burstyn), o seu filho Harry (Jared Leto), a namorada deste (Jennifer Connelly) e um amigo (Marlon Wayans), todos lutando com diferentes formas de dependência que acabam por os aprisionar num mundo de alucinação e desespero que finalmente se funde com uma realidade devastadora e se transforma num pesadelo ao vivo e a cores do qual é impossível acordar.

O filme foi altamente aclamado pela critica cinematográfica, apresentando diversos pontos fortes: a música belíssima composta por Clint Mansell e tocada pelo Kronos Quartet (especialmente a composição “Lux Aeterna”), utilizada posteriormente na banda sonora de vários outros filmes como O Código Da Vinci, Eu Sou Lenda ou a série Lost; as performances dos actores, com especial destaque para Burstyn (nomeada ao Óscar), que retrata de forma brilhante as consequências da vida de isolamento e tédio de uma viúva cuja distracção é levar a cabo uma dieta de comprimidos multicoloridos e de eficácia duvidosa para atingir a silhueta perfeita de há muitos anos atrás e assim surpreender no programa de televisão para o qual foi hipoteticamente convidada; e a própria técnica de filmagem (frequentemente chamada hip hop montage, consiste na montagem de shots extremamente curtos resultando na progressão de cenas a grande velocidade) – a titulo de curiosidade, enquanto num filme médio de 100 minutos são feitos 600 a 700 cortes de cenas, Requiem for a Dream apresenta mais de 2000!

Sim, eu sei que o filme já tem uns largos 10 anos de existência, mas é possível que, como para mim, Requiem for a Dream seja para vocês apenas o nome de um filme do qual não sabem a história mas que não se importariam de ver se a ocasião se proporcionasse. Pois bem, a ocasião proporcionou-se para mim e ainda bem, porque uma experiência cinematográfica que nos deixa desconfortavelmente pregados à cadeira puxando os lábios nervosamente perante o choque, a bizarria, a repugnância e o interesse mórbido, é, no mínimo, uma experiência inesquecível e bem melhor que a que se obtém com um filme que esquecemos 5 minutos depois de o vermos; o facto de ser difícil expressar uma opinião coerente sobre se se gosta ou não de Requiem for a Dream, atesta pelo menos à sua irreverência e capacidade de afectar o espectador, não o deixando indiferente (que, no final de contas, é o que se quer).


Raquel Pereira

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