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[CINEMA] Review - The Wrestler (O Wrestler)

17 de janeiro de 2011 à(s) 17:28

Realizador: Da
rren Aronofsky
Argumento: Robert D.Siegel,

Com: Mickey Rourke, Marisa Tomei, Evan Rachel
Wood
Duração: 109 min


Review: Num dos raros momentos de qualidade cinematográfica na televisão nacional, tive a oportunidade de ver O Wrestler, o regresso de um Mickey Rourke novo, melhorado e estilosamente desfigurado ao grande ecrã.

Vinte anos após o período de apogeu da sua carreira como lutador profissional, Randy “The Ram” Robinson está a envelhecer e a decair. Vive sozinho numa roulotte, trabalha em part-time no supermercado local e faz pequenos shows de wrestling ao fim-de-semana. Precisa de óculos para ler e de um aparelho auditivo. Após um dos seus shows, sofre um ataque cardíaco que ameaça acabar com a sua carreira de lutador de uma vez por todas e decide então reconciliar-se com a sua própria vida: desistir das lutas e tornar-se num empregado de supermercado full-time, reaproximar-se da filha que abandonou na infância e formar uma ligação mais profunda com a stripper de quem gosta. Á medida que luta por esta vida e vê-se falhar miseravelmente, decide que o seu tipo de luta será apenas e sempre o mesmo: o dos ringues de wrestling.

Na altura em que se falou do filme, este não me chamou muito a atenção; nunca fui uma fã de Mickey Rourke ou vi algum dos seus filmes antigos, antes do período de afastamento do cinema para caminhos mais obscuros. Bem, claramente eu estava enganada, pois este O Wrestler é um filme extremamente bem conseguido e toda a aclamação da crítica e da indústria do wrestling, bem como as nomeações de Mickey Rourke para vários prémios (as primeiras da sua carreira) são totalmente bem merecidas. A interpretação de The Ram só não lhe valeu mesmo o Oscar da Academia (que foi entregue a Sean Penn), mas não deixou de surpreender no regresso do actor ao ecrã (num papel para o qual Nicolas Cage foi inicialmente considerado mas que foi entregue a Rourke graças aos esforços do realizador). A sua personagem junta as características de dois dos maiores ícones do wrestling nos anos 80: o longo cabelo louro, a tremenda musculatura e o abuso de esteróides de Hulk Hogan e a jogada knock-out de Randy Macho Man Savage (belo nome), apelidada de Ram Jam, que consiste no lançamento em voo da última corda delimitadora do ringue naquilo que, mal traduzido, se pode chamar de esmagamento (do adversário) com os antebraços….pois…

Uma outra curiosidade: a música “Sweet Child O’Mine” dos Guns N’ Roses, que aparece durante a apoteótica entrada de Randy no combate final, foi doada por Axl Rose aos produtores do filme divido ao seu baixo orçamento. A música “The Wrestler”, escrita e interpretada por Bruce Springsteen para o filme, foi igualmente alvo de permeações.

O Wrestler é um filme que vive muito da movimentação de Rourke e restantes personagens pelos cenários e da fluidez despretensiosa com que tudo isso é filmado onde, mesmo não existindo um ritmo rápido, a própria carga emocional e a crueldade encenada do mundo do wrestling mantêm o espectador atento e inevitavelmente ligado às personagens, principalmente, como é óbvio, a Randy. A dinâmica do filme é muito natural, tão natural que a primeira cena em que Randy está a servir ao balcão do supermercado é completamente improvisada, com Rourke literalmente a atender os clientes enquanto era filmado. Um único apontamento menos bom: o final é propositadamente um final em aberto, mesmo no último momento do KO, de forma a que o espectador decida por si mesmo o destino da personagem. Pode ser um pouco chocante para quem está a espera de ver exactamente como é que Randy endireitou (ou não) a sua vida, mas não tira definitivamente a qualidade a este filme sublime.



Raquel Pereira

[CINEMA] Review - Requiem for a Dream (A Vida Não é Sonho)

8 de setembro de 2010 à(s) 15:16

Realizador: Darren Aronofsky
Argumento:
Hubert Shelby Jr. (livro); Hubert Shelby Jr., Darren Aronofsky (argumento)
Com: Ellen Burstyn, Jared Leto, Jennifer Connelly, Marlon Wayans
Dura
ção: 102 min

Review: Requiem for a Dream baseia-se no romance homónimo de Hubert Shelby Jr., escrito em 1978, com argumento igualmente escrito por Shelby Jr. em conjunto com Darren Aronofsky, também realizador da película. A história segue o período do Verão, Outono e Inverno na vida de Sara Goldfarb (Ellen Burstyn), o seu filho Harry (Jared Leto), a namorada deste (Jennifer Connelly) e um amigo (Marlon Wayans), todos lutando com diferentes formas de dependência que acabam por os aprisionar num mundo de alucinação e desespero que finalmente se funde com uma realidade devastadora e se transforma num pesadelo ao vivo e a cores do qual é impossível acordar.

O filme foi altamente aclamado pela critica cinematográfica, apresentando diversos pontos fortes: a música belíssima composta por Clint Mansell e tocada pelo Kronos Quartet (especialmente a composição “Lux Aeterna”), utilizada posteriormente na banda sonora de vários outros filmes como O Código Da Vinci, Eu Sou Lenda ou a série Lost; as performances dos actores, com especial destaque para Burstyn (nomeada ao Óscar), que retrata de forma brilhante as consequências da vida de isolamento e tédio de uma viúva cuja distracção é levar a cabo uma dieta de comprimidos multicoloridos e de eficácia duvidosa para atingir a silhueta perfeita de há muitos anos atrás e assim surpreender no programa de televisão para o qual foi hipoteticamente convidada; e a própria técnica de filmagem (frequentemente chamada hip hop montage, consiste na montagem de shots extremamente curtos resultando na progressão de cenas a grande velocidade) – a titulo de curiosidade, enquanto num filme médio de 100 minutos são feitos 600 a 700 cortes de cenas, Requiem for a Dream apresenta mais de 2000!

Sim, eu sei que o filme já tem uns largos 10 anos de existência, mas é possível que, como para mim, Requiem for a Dream seja para vocês apenas o nome de um filme do qual não sabem a história mas que não se importariam de ver se a ocasião se proporcionasse. Pois bem, a ocasião proporcionou-se para mim e ainda bem, porque uma experiência cinematográfica que nos deixa desconfortavelmente pregados à cadeira puxando os lábios nervosamente perante o choque, a bizarria, a repugnância e o interesse mórbido, é, no mínimo, uma experiência inesquecível e bem melhor que a que se obtém com um filme que esquecemos 5 minutos depois de o vermos; o facto de ser difícil expressar uma opinião coerente sobre se se gosta ou não de Requiem for a Dream, atesta pelo menos à sua irreverência e capacidade de afectar o espectador, não o deixando indiferente (que, no final de contas, é o que se quer).


Raquel Pereira