[CINEMA] Review - Estado de Guerra

1 de abril de 2010 à(s) 20:30
Realizadora: Kathryn Bigelow
Argumento: Mark Boal
Com: Jeremy Renner, Anthony Mackie, Brian Geraghty e Ralph Fiennes
Duração: 131



Review: Considerei durante bastante tempo se me devia meter na empreitada de fazer um comentário (isto vai ser mais um comentário do que propriamente uma review) ao filme “Estado de Guerra” (mais conhecido por “The Hurt Locker”), isto porque, muito sinceramente, mesmo já tendo reflectido sobre o assunto, não consigo ter uma opinião sólida sobre o filme. A primeira coisa que me apetece dizer sobre o filme é que fico contente por ter ganho a Avatar, a segunda coisa é que não percebo muito bem porque levou o Oscar para melhor filme. Mesmo só tendo visto metade da lista dos nomeados posso dizer com toda a certeza que “Sacanas sem lei” ou “Distrito 9” mereciam muito mais o prémio de melhor filme, e de melhor realizador, do que Hurt Locker ou Avatar.


O filme propriamente dito trata da malfadada guerra do Iraque, mais propriamente de uma equipa de desmantelamento de bombas. A premissa era interessante e se há algo que o filme consegue é trazer uma nova visão dos soldados dos EUA, que neste caso não são tratados nem como semi-deuses nem como incarnações do demónio. E esse facto é capaz de ser o melhor e o pior do filme. O que acontece é que sendo as personagens um retrato, supostamente, fiel do soldado não há grande coisa com que o espectador comum se possa relacionar, não existem lados para se tomar, a linha entre o bem e o mal, o amigo e o inimigo, simplesmente não existe. Nesse aspecto posso afirmar que nunca tinha visto um filme de guerra que apresentasse as coisas de uma forma tão pouco dinâmica, mas ao mesmo tempo tão real.

O enredo em si também não suscita grande excitação, no fundo este filme é uma sequência relativamente desconexa de eventos. Se resolvessem trocar o desmantelamento em local X por uma situação idêntica em local Y não haveria nenhuma diferença visível no desenrolar do filme. Um dos principais problemas, na minha opinião, é a falta de suspense no desenrolar da história, os desarmes dos diversos engenhos explosivos são interessantes mas “ficam velhos” rapidamente, além disso existe sempre o factor “estamos a metade do filme é óbvio que o personagem principal não vai morrer” e por isso não sobra grande coisa para entreter o espectador.

Dum ponto de vista mais técnico o Hurt Locker não apresenta grandes problemas, a fotografia e a sonoplastia foram bem executados. Quanto à realização, achei competente mas nada de transcendente ou revolucionário. O mesmo pode ser dito dos actores, competentes mas sem impressionarem.

Em suma Hurt Locker é um bom filme, apesar de não ser altamente entusiasmante consegue “agarrar” o suficiente para que não se torne chato. É um filme simples feito de retalhos de uma guerra desconexa, vazia e sem objectivo e é precisamente nisso que está o seu mérito. É a guerra tal como ela é e não como nos filmes.


Mário Barroso

0 Lambidelas

Enviar um comentário