[LIVROS] Jodi Picoult

2 de abril de 2010 à(s) 20:14

(Isto não é um despique, juro…) Mais uma autora que todos devem conhecer, a minha favorita de sempre;

Jodi Picoult nasceu e foi criada em Long Island, tendo-se mudado para o estado de New Hampshire quando tinha 13 anos. A sua primeira história, escreveu-a aos 5 anos de idade, um conto intitulado The Lobster Wich Misunderstood.

Estudou escrita criativa na Universidade de Princeton, altura em que publicou duas short-stories na revista Seventeen. Apesar da toda a criatividade, as dificuldades do mundo real levaram-na a uma série de ocupações diferentes depois de obter a graduação (onde aplicava os seus conhecimentos literários) tendo trabalhado numa correctora em Wall Street, numa agência de publicidade, numa editora e ainda como professora de Inglês do 8º ano; tudo isto antes de tirar um mestrado em Educação na Universidade de Harvard.

O seu primeiro livro, Songs of the Humpback Whale, foi escrito durante a gravidez do primeiro dos seus três filhos, tendo sido publicado no ano de 1992; a partir daí, publicou um romance diferente quase todos os anos, ao mesmo tempo que criava a família (filhos e animais de estimação incluídos) em Hanover (no New Hampshire) e ainda arranjava tempo para responder aos inúmeros pedidos de aparições públicas para promoção dos seus livros.

Escreveu dezassete romances até à data (na sua maioria bestsellers), desde Songs of the Humpback Whale ao seu mais recente House Rules, publicado este ano nos EUA. Alvos de uma longa lista de prémios, os seus livros estão traduzidos em 34 línguas diferentes, num total de 35 países. Em Portugal, já foram publicadas 9 traduções: O Pacto (The Pact), Tudo por Amor (Perfect Match), Uma Questão de Fé (Keeping Faith), Para a Minha Irmã (My Sister’s Keeper), Memórias Esquecidas (Vanishing Acts), O Décimo Circulo (The Tenth Circle), Dezanove Minutos (Nineteen Minutes), Frágil (Handle with Care) e Em Troca de Um Coração (Change of Heart), tendo estes três últimos atingido o nº 1 na lista de bestsellers do New York Times no seu pais de origem.
A par dos romances dramáticos que lhe granjearam o sucesso e o enorme reconhecimento mundial, foi autora de cinco edições da série de banda desenhada Wonder Woman, da DC Comics.

No campo das adaptações cinematográficas, três dos seus livros – The Pact, Plain Truth e The Tenth Circle – foram retratados no pequeno ecrã televisivo; My Sister’s Keeper deu origem ao filme com o mesmo nome realizado por Nick Cassavetes e contando com Cameron Diaz, Alec Baldwin e Abigail Breslin nos principais papéis, que estreou o ano passado nos cinemas portugueses (a titulo de curiosidade, o filme terá gerado polémica à volta do final distinto do do livro, o que arruinou a película a muito bom fã, que inclusive escreveu à autora a perguntar o porquê de ter permitido a destruição da história. Jodi afirmou que as alterações do guião em relação ao livro não eram da sua responsabilidade e que, apesar disso, o filme ganhava pelas boas interpretações dos seus actores e pela grande carga emocional retratada, que faziam daquela uma belíssima história; também terá recomendado a compra de uma caixa de Klennex aos mais sensíveis…).


Alguns artigos salientam a forma quase clarividente com que Jodi situa as suas histórias mesmo no meio dos dilemas morais que são a génese dos debates nacionais de hoje em dia; a sua carreira tem por base uma ficção que, apesar de obviamente fictícia, parece saltar directamente das discussões dos talk-shows e das “letras gordas” dos jornais. Aos 38 anos, quando muito bom autor está ainda a lançar o seu primeiro livro, Jodi já tinha publicado 12, todos livros que lidam com os principais “assuntos quentes” da nossa sociedade: desde a investigação de células estaminais ao suicídio na adolescência, passando pelo abuso sexual, o aborto, o incesto e a eutanásia.

Jodi não escreve à deriva; o seu trabalho assenta numa investigação intensa, com visitas a laboratórios médicos, conversas intermináveis com advogados e viagens a sítios remotos (apesar da maioria das tramas se situar no estado de New Hampshire, o lar da autora, por exemplo, The Tenth Circle desenrola-se em terreno mais inóspito, no Alasca). Segundo ela, esta é uma parte crucial do processo: é quando está profundamente embrenhada na pesquisa dos factos ou na condução de entrevistas que “ as luzes se acendem no seu cérebro, levando-a em novas direcções”.

Igualmente, Jodi tem um jeito com as palavras. Deixando de parte a minha capacidade inexperiente para a critica literária, (reconhecendo, obviamente, que não estamos perante uma escritora de génio, mas, sem dúvida uma boa escritora), é impossível não nos agarramos aos seus livros até nos esquecermos de tudo à nossa volta, só voltando à realidade quando é mesmo preciso ou bem…quando o livro acaba.
Há ali muitos elementos positivos: as reviravoltas inesperadas, a ironia das palavras e uma capacidade anormal para a chamada punch-line e para deixar o leitor na expectativa e a implorar por mais e mais. Isto mesmo sem contar com a história fenomenal e as personagens complexas e atractivas, marcadas quase sempre pela luta de uma mãe pelos filhos para lá do limite do que é ético e moral e por um processo jurídico ao grande estilo das séries de televisão. E até temos direito a reencontrar algumas das personagens (embora sempre num papel mais secundário) e seguir a sua evolução de um livro para o outro.


Para quem quiser seguir alguns conselhos práticos de uma fã acérrima (orgulho-me de dizer que, dos dezassete livros, já li doze), deixo aqui algumas notas;
Apesar de haver personagens recorrentes, não é obrigatório fazer uma leitura sequencial dos livros: cada um conta a sua história individual e é fácil apanhar os pedacinhos da história das personagens que voltam a aparecer; para além disso, as traduções portuguesas também não estão a seguir as datas de publicação e, já agora, são um bom ponto de partida para conhecer a bibliografia de Jodi, com uma qualidade de escrita/tradução bastante aceitável. No entanto (e como já foi referido neste blog) os livros de importação oferecem não só um preço mais em conta, como também uma maior variedade (visto que, obviamente, existem todos os dezassete na língua original) e uma maior percepção da escrita da autora.

Em relação aos próprios livros, só posso dizer os que gostei mais:
Para a Minha Irmã, que conta a história de Anna Fitzgerald e da sua luta contra os pais para obter a emancipação médica e deixar de ser a dadora da irmã, em estado terminal de leucemia;

Dezanove Minutos
, sobre o pesadelo do bullying e de uma vingança ao estilo Columbine que marcam a vida do adolescente Peter Houghton;


Salem Falls
(ainda não traduzido em português) mostra como uma simples acusação de abuso sexual baseada na inveja e irreverência adolescente pode destruir a vida de um homem inocente e iniciar uma caça-às-bruxas dos tempos modernos;


O Décimo Circulo
, uma viagem quase literal aos dez círculos do inferno pessoal de Daniel Stone, quando a sua filha é violada pelo namorado.



Para todos e mais alguns, enjoy

Raquel Pereira

1 Responses to [LIVROS] Jodi Picoult

  1. Unknown Says:

    Adoro =))
    E só tenho de agradecer o facto de me teres apresentado esta escritora maravilhosa... pode não ser genial na escrita, como muitos acharão, mas as suas histórias tocam qualquer pessoa...
    =)

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