[CINEMA] Review - Machete

28 de janeiro de 2011 à(s) 12:40
Realizador: Robert Rodriguez, Ethan Maniquis
Argumento: Robert Rodriguez, Álvaro Rodríguez
Com: Danny Tre
jo, Robert De Niro, Jessica Alba, Steven Seagal, Michelle Rodriguez, Jeff Fahey, Don Johnson Duração: 105 min

Review: Numa simples frase descritiva, Machete é um filme de acção chunga de qualidade, algo que muito provavelmente só poderia ter vindo do imaginário e mão-de-obra de Robert Rodriguez e sua crew. O filme é uma expansão do falso trailer apresentado na série dupla de Rodriguez e Quentin Tarantino intitulada Grindhouse (engobando os filmes Planet Terror e Death Proof, de cada um dos realizadores respectivamente e ambos filmes brilhantes).
Esta é a história de Machete (Danny Trejo), um antigo federal mexicano renegado que deambula pelas cidades e vilas do Texas à procura de trabalho após o confronto com um dos maiores traficantes de droga do México, Torrez (encarnado pela figura cada vez mais quadrada de Steven Seagal), que lhe assassinou a família. É então abordado por Michael Booth (Jeff Fahey) que lhe propõe uma missão: matar um corrupto senador (De Niro), responsável pela expulsão do Texas e assassínio de centenas de imigrantes ilegais mexicanos. Machete aceita, mas acaba por ser atraiçoado por Booth e a integrar a listas dos mais procurados pela tentativa de assassinato do senador, como parte de uma operação para ganhar o apoio geral do público para as severas leis de anti-imigração impostas pela sua campanha. Procurado pela lei e por uma agente dos Serviços de Imigração americanos (Jessica Alba), Machete junta Booth e os seus capangas à sua lista de alvos a abater (incluindo Torrez) e parte em busca de vingança, contando com um número limitado de aliados.


Machete vem perpetuar o estilo de filme de série B de “exploração” (o chamado exploitation movie) adoptado em ambos os filmes de Grindhouse (em homenagem à expressão americana utilizada para definir os antigos teatros onde eram exibidos, sobretudo, filmes deste estilo). O termo "exploitation" é comum na indústria cinematográfica, sendo usado para todos os tipos de filmes para significar promoção ou publicidade através da exploração de algo como uma grande estrela, efeitos especiais, sexo, violência ou romance; ou seja, promove a exploração, muitas vezes chocante, de um determinado assunto, dependendo fortemente de publicidade sensacionalista e exagero amplo e lúgubre dos temas representados, independentemente da qualidade intrínseca do filme, que regra geral é bastante baixa.

Porém, em minha sincera opinião, a regra geral não se verifica para qualquer dos filmes de Grindhouse e igualmente para Machete, o primeiro papel principal do actor Danny Trejo como colaborador habitual das aventuras de Rodriguez desde o filme Desperado, e um papel que, segundo o realizador, já desde essa altura lhe estava destinado. Machete tem o ritmo acelerado, as litradas de sangue e as falas profundas e foleiras que se pedem neste tipo de filme e que promovem, para quem gosta, um entretenimento garantido. Do género, “isto é tão mau que é bom”. Trejo está completamente adequado ao papel, desde a sua fisionomia de durão vingativo à destreza da sua pequena amiga machete e às suas palavras, que são poucas mas épicas na sua maioria. “Machete não manda sms”…mas improvisa, esventra pessoas, reúne motins, faz filmes pornográficos e rende as mulheres ao seu charme, tudo num dia de trabalho.

E palmas para a perseverança de Rodriguez, que convence Robert De Niro, Jessica Alba e Don Johnson a participarem nestas coisas.


O filme recebeu sobretudo críticas positivas, sendo consensualmente definido pela crítica geral como “confuso, violento, superficial e de mau gosto”, e portanto tudo aquilo que se quer para “um dos filmes mais agradáveis do Verão”.
De acordo com Trejo, as rodas já estão em movimento para a realização da primeira das duas sequelas do filme, intitulada Machete Kills, com a terceira parte da trilogia provisoriamente intitulada Machete Kills Again, ambas brevemente apresentadas nos créditos do filme.



Raquel Pereira

[LIVROS] Review - Haunted

26 de janeiro de 2011 à(s) 14:18
Autor: Chuck Palahniuk
Editora: Vintage
Páginas: 404


Sinopse: Dezassete pessoas respondem a um anúncio intitulado: “Retiro para Artistas: Abandone a sua vida por 3 meses.”, uma promessa de afastamento das distracções da”vida real” e da influência da sociedade que até agora impediram estas pessoas de criar a obra-prima literária que existe dentro de cada uma delas. Mas este retiro idílico revela-se afinal um completo isolamento do mundo exterior num velho e cavernoso teatro-museu onde os mantimentos, especialmente a comida, vão escasseando a uma velocidade alarmante. E quanto mais desesperadas as circunstâncias se tornam, mais desesperadas são as histórias que estas pessoas contam e mais tortuosas são as suas maquinações para aumentar o seu sofrimento e assim se tornarem os heróis da peça de teatro/filme/documentário que certamente será realizado após o seu salvamento.

Review: A própria dinâmica deste livro é única: cada capítulo do livro engloba um capítulo da narrativa principal (contada por um narrador desconhecido), um poema sobre uma das personagens no retiro (de autoria desconhecida) e uma história contada por essa personagem, que se conecta com a narrativa principal de alguma forma. O retiro é muitas vezes comparado (embora com consequências incomparavelmente mais desastrosas) a um outro ocorrido na Villa Diodati em 1816, uma mansão na Suiça e alegada residência temporária de Verão de escritores como Lord Byron e Mary Shelley, entre outros, e o berço de várias histórias clássicas de terror como “Frankenstein” e “The Vampire”.

Tal como é dito na contra-capa, Haunted é uma história feita de histórias: 23 das histórias mais terroríficas, hilariantes, alucinantes e repugnantes jamais escritas. Autobiográficas ou meros relatos de acontecimentos a outras pessoas, estas histórias correm um vasto leque de temas e acabam por pervertê-los na narrativa muito pouco inofensiva que apresentam, pela forma como são contadas e principalmente pelos seus conteúdos, que de tão inverosímeis mais parecem inventados…Só que nem todos, pelo menos, o são. Haunted é principalmente conhecido pela short-story “Guts”, a primeira das 23, um conto sobre três violentos acidentes envolvendo actos de masturbação. Segundo o autor, todos os três acidentes são baseados em histórias verídicas. Durante a promoção de livros anteriores, as leituras para o público desta short-story resultaram, nas próprias palavras do escritor, em 73 desmaios na audiência com consequências ligeiramente incómodas, número que continua a aumentar graças a leituras em voz alta de outros leitores para os amigos. E esta não será a mais sombria e perturbante das histórias…

Por outro lado, a história principal não lhes fica atrás. A medida que a narrativa evolui e os três meses passam, vamos assistindo a uma perversão cada vez maior das pessoas aprisionadas, uma luta desesperada de cada personagem pelo alcance de um patamar de sofrimento o mais atroz possível, da simples privação de calor, luz e comida à auto-mutilação, ao assassínio e ao canibalismo, tudo numa tentativa de alcançar a fama na partilha da sua provação com o mundo e sempre atribuindo a culpa das suas atrocidades a uma entidade demoníaca que tanto é incarnada pelo organizador do retiro como pela sua assistente.

Mais que os sentimentos de repugnância, surpresa e espanto que as short-stories me despertaram, o que mais me afecta neste livro acaba por ser as convicções que estas pessoas têm, a ânsia com que correm para o cadafalso, a sua vontade em degradarem a vida e o corpo em nome do reconhecimento social. Apesar de criarem a figura demoníaca que os torturou no retiro durante 3 meses, na verdade tornaram-se eles próprios os demónios. É obvio que estas pessoas estão loucas, insanas. Mas estão conscientes e, por qualquer motivo retorcido perderam qualquer sentido de auto-sobrevivência que faz com que, na minha opinião, o leitor reze para que nunca sejam salvas e morram sozinhas com as suas acções. É, no fundo, a forma habilidosa e provocadora como Palahniuk escreve, que mexe sempre com leitor quer ele queira quer não e que fica cravada nas nossa mente.
Raquel Pereira

[CINEMA] Review - The Wrestler (O Wrestler)

17 de janeiro de 2011 à(s) 17:28

Realizador: Da
rren Aronofsky
Argumento: Robert D.Siegel,

Com: Mickey Rourke, Marisa Tomei, Evan Rachel
Wood
Duração: 109 min


Review: Num dos raros momentos de qualidade cinematográfica na televisão nacional, tive a oportunidade de ver O Wrestler, o regresso de um Mickey Rourke novo, melhorado e estilosamente desfigurado ao grande ecrã.

Vinte anos após o período de apogeu da sua carreira como lutador profissional, Randy “The Ram” Robinson está a envelhecer e a decair. Vive sozinho numa roulotte, trabalha em part-time no supermercado local e faz pequenos shows de wrestling ao fim-de-semana. Precisa de óculos para ler e de um aparelho auditivo. Após um dos seus shows, sofre um ataque cardíaco que ameaça acabar com a sua carreira de lutador de uma vez por todas e decide então reconciliar-se com a sua própria vida: desistir das lutas e tornar-se num empregado de supermercado full-time, reaproximar-se da filha que abandonou na infância e formar uma ligação mais profunda com a stripper de quem gosta. Á medida que luta por esta vida e vê-se falhar miseravelmente, decide que o seu tipo de luta será apenas e sempre o mesmo: o dos ringues de wrestling.

Na altura em que se falou do filme, este não me chamou muito a atenção; nunca fui uma fã de Mickey Rourke ou vi algum dos seus filmes antigos, antes do período de afastamento do cinema para caminhos mais obscuros. Bem, claramente eu estava enganada, pois este O Wrestler é um filme extremamente bem conseguido e toda a aclamação da crítica e da indústria do wrestling, bem como as nomeações de Mickey Rourke para vários prémios (as primeiras da sua carreira) são totalmente bem merecidas. A interpretação de The Ram só não lhe valeu mesmo o Oscar da Academia (que foi entregue a Sean Penn), mas não deixou de surpreender no regresso do actor ao ecrã (num papel para o qual Nicolas Cage foi inicialmente considerado mas que foi entregue a Rourke graças aos esforços do realizador). A sua personagem junta as características de dois dos maiores ícones do wrestling nos anos 80: o longo cabelo louro, a tremenda musculatura e o abuso de esteróides de Hulk Hogan e a jogada knock-out de Randy Macho Man Savage (belo nome), apelidada de Ram Jam, que consiste no lançamento em voo da última corda delimitadora do ringue naquilo que, mal traduzido, se pode chamar de esmagamento (do adversário) com os antebraços….pois…

Uma outra curiosidade: a música “Sweet Child O’Mine” dos Guns N’ Roses, que aparece durante a apoteótica entrada de Randy no combate final, foi doada por Axl Rose aos produtores do filme divido ao seu baixo orçamento. A música “The Wrestler”, escrita e interpretada por Bruce Springsteen para o filme, foi igualmente alvo de permeações.

O Wrestler é um filme que vive muito da movimentação de Rourke e restantes personagens pelos cenários e da fluidez despretensiosa com que tudo isso é filmado onde, mesmo não existindo um ritmo rápido, a própria carga emocional e a crueldade encenada do mundo do wrestling mantêm o espectador atento e inevitavelmente ligado às personagens, principalmente, como é óbvio, a Randy. A dinâmica do filme é muito natural, tão natural que a primeira cena em que Randy está a servir ao balcão do supermercado é completamente improvisada, com Rourke literalmente a atender os clientes enquanto era filmado. Um único apontamento menos bom: o final é propositadamente um final em aberto, mesmo no último momento do KO, de forma a que o espectador decida por si mesmo o destino da personagem. Pode ser um pouco chocante para quem está a espera de ver exactamente como é que Randy endireitou (ou não) a sua vida, mas não tira definitivamente a qualidade a este filme sublime.



Raquel Pereira

[MÚSICA] Bolas de Naftalina Vai ao Baile 6 - Miscelânia musical

16 de janeiro de 2011 à(s) 18:39
No início do ano, O Bolas de Naftalina veste os trapitos da moda e vai ao primeiro baile de 2011 com um verdadeiro mix de músicas sem nenhum tema particular. Uma playlist "miscelânica" para desfrutar no relax, para os momentos de introspecção ou para abanar o capacete...Eis-la!

Stronger - 30 Seconds to Mars

Mojo - Peeping Tom
Robot Boy - Linkin Park

Crystalised - The XX

Psyche - Nouvelle Vague

Kids with Guns - Gorillaz
Blue Light (Engineers' Anti-Gravity Mix) - Bloc Party

House of cards - Radiohead

Smiley Faces - Gnarls Barkley

City with no Children - Arcade Fire

Black Sheep - Metric

I will possess your heart - Death Cab for Cutie

Vangabond - Wolfmother

Play - Flunk

Next Girl - The Black Keys

Raquel Pereira