[CINEMA] Review - Alice no País das Maravilhas

16 de março de 2010 à(s) 21:07

Realizador: Tim Burton
Argumento: Linda Woolverton (argumento), Lewis Carroll (livros)
Com: Mia Wasikowska, Johnny Depp, Helena Bonham Carter, Anne Hathaway
Duração: 108 minutos

Review (SPOILERS): Alice no País das maravilhas é um filme mais ou menos, em que tudo é absolutamente mais ou menos, e que no fim não deixa qualquer marca a quem passou quase 2 horas com uns óculos estranhos na cara. A premissa até era interessante, juntar Tim Burton e a dupla do costume (Deep e Bonham Carter) com o mundo fantástico e absurdo do conto de Lewis Carroll, com muito CGI e 3D à mistura. O resultado final dificilmente poderia estar mais longe das minhas expectativas.

O filme tem, para mim, apenas 1 aspecto positivo, é visualmente interessante. Como já era de esperar Tim Burton deu uma roupagem nova tanto às personagens como aos cenários, ainda que não estejamos perante uma grande inovação por parte de Burton. Trata-se unicamente da aplicação do estilo distintivo do realizador à história, o que não é mau mas que poderia ser melhor. Ainda relativamente ao aspecto visual é de destacar a utilização do 3D, que neste caso não se destaca pela positiva, isto porque muitas vezes nem se dá pelos efeitos 3D e no geral nunca parece extraordinariamente necessário, há sempre a sensação que a experiência do filme seria a mesma caso fosse a 2D (e deve salientar-se que seria uma experiência substancialmente mais barata para quem vai ao cinema).
Os actores não estão mal nos seus papéis mas nenhum deles se destaca de forma notória. Mia Wasikowska (Alice), uma quase estreante pelos lados de Holywood, é demasiado apática e não consegue suportar o “trabalho” de protagonista, as razões porque a escolheram para personagem principal não são visíveis . Johhny Depp (Chapeleiro Maluco) desaponta maioritariamente por não aproveitar para se comportar de forma verdadeiramente alucinada e parece sempre andar no limite entre o maluco e o maníaco-depressivo, esperava-se bastante mais neste papel. Helena Bonham Carter é quem mais brilha, cumprindo com destreza o papel de Rainha de Copas, ao contrário de Anne Hathway (Rainha Branca) que consegue ainda ser mais apagada do que Alice, o que se torna especialmente irritante quando a sua personagem é descrita como o último pilar do bem e não como uma senhora que tem sempre os braços em posições estranhas.

Mas sem qualquer espécie de dúvida que a pior parte do filme é o argumento, ao juntarem elementos de 2 contos de Lewis Carroll, conseguiram verdadeiramente fazer uma salada de frutas de personagens e eventos desconexos, em que muitos deles são completamente acessórios e desnecessários. Na primeira parte do filme interroga-se se a Alice que está agora no País das Maravilhas é a mesma que lá esteve antes, no entanto a dúvida não parece incomodar muito as personagens que pelo sim pelo não aceitam uma Alice qualquer para concretizar uma profecia ancestral. O que também não se percebe muito bem é porque é que a Rainha de Copas, que é má como as cobras, deixou todos os amiguinhos da Alice em paz em sossego durante 13 anos só se preocupando em tornar-lhes a vida num inferno quando estes vão buscar a Alice ao mundo real. Quando finalmente se percebe que a Alice é na verdade “a” Alice (e se depois de mais de 1 hora de filme esta Alice fosse a Alice errada as pessoas ficariam provavelmente muito chateadas por estar a ver a Alice no País das Maravilhas sem a Alice), esta pode agora concretizar a profecia de matar o dragão, que, a bem da verdade, nunca teria sido um problema se não tivessem ido buscar Alice à festa de noivado. O filme acaba, como todos os filmes da Disney, com uma bonita sucessão de clichés, Alice mata o dragão, volta para o mundo real, dá uma lição de moral a todos os membros da família e passa a dedicar-se ao seu sonho de explorar o mundo num barco seguindo as pegadas do pai.

Em suma o filme não é mau, mas também não é bom, é mais ou menos em tudo e mais alguma coisa. Tem o benefício de ser relativamente acelerado e por isso as quase 2 horas de filme não custam muito a passar. É um filme “pipoca” mais típico dos meses de verão, nada mais, nada menos.


Mário Barroso

2 Lambidelas

  1. Este comentário foi removido pelo autor.
  2. Bitaite dentro de bitaite: Confesso que é algo díficil para mim não gostar de um filme. Apesar de continuar a achar que o Tim tinha ganho pontos em não ser ganancioso e ter antes escolhido recriar (em vez de expandir a história a partir de) apenas um dos livros de Carrol, não posso dizer que não fui entretida durante 2 horas. E o Johnny é sempre o Johnny....XD

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