[LIVROS] Review - A Estirpe

23 de março de 2010 à(s) 20:53

Autor: Chuck Hogan, Guillermo Del Toro
Título Original: The Strain (2009)
Editora: Suma de letras
Páginas: 560


Sinopse: Um Boeing 777 proveniente de Berlim aterra no aeroporto JFK e, de repente, pára na pista. As janelas estão fechadas. As luzes estão apagadas. Ninguém responde às chamadas da torre de controlo. Nenhum passageiro atende o telemóvel. Parece que o avião deixou de existir… O que os investigadores encontram lá dentro gela-lhes o sangue. O que ao princípio parece apenas um vírus altamente contagioso revela-se uma ameaça aterradora. Os vampiros estão de volta e estão sedentos de sangue. A epidemia vampírica propaga-se a uma velocidade vertiginosa e, ao cabo de poucos dias, invade toda a ilha de Manhattan. Mas isto é apenas o começo. Porque existe um plano sinistro para conquistar rapidamente todo o planeta.




Review: Num mercado cada vez mais saturado com romances sobre vampiros será que existe espaço para mais uma trilogia sobre o assunto? Se “Crepúsculo” é o romance teen dos vampiros e “Sangue Fresco” o romance adulto, então nesse caso “A Estirpe” é uma injecção de adrenalina no meio da casa dos horrores da feira popular.

Guillermo del Toro, a primeira metade desta dupla, é reconhecido como realizador de filmes como “El laberinto del fauno”, “Hellboy” I e II e “The Hobbit” (em fase de pré-produção), trabalhos que já lhe valeram uma série de prémios bem como o título de guru dos efeitos visuais e um dedicado clube de fãs. Chuck Hogan, por outro lado, é um aclamado escritor de ficção, autor de "Prince of Thieves: A Novel", vencedor do prémio “Hammett Prize 2005” e considerado como um livros do ano por Stephen King.

O resultado desta improvável colaboração é uma excelente obra de fantasia urbana e horror, uma leitura rápida e entusiasmante que deixa o leitor à espera dos próximos capítulos. O ponto mais forte do livro reside nas descrições convenientemente detalhadas dos cenários e dos vampiros que ajudam a criar um ambiente assustador e credível para acompanhar o rápido desenvolvimento dos acontecimentos; A presença de gore é uma constante e talvez possa ser demasiado para pessoas demasiado impressionáveis mas é, sem dúvida, fundamental para transmitir o ambiente negro e aura de terror que a história exige e que consegue transmitir com grande mestria. Outro dos pontos fortes é a forma como os vampiros são abordados, uma praga letal de monstros sem piedade, que vivem para passar a sua doença ao próximo; para ser totalmente justo devo destacar que a premissa principal do livro, encarar os vampiros como doença resultado de uma praga de parasitas, não é uma novidade absoluta e existem alguns clichés pelo meio, mas ao incorporar elementos da ciência moderna com componentes mitológicos e do folclore os autores conseguem destacar-se dos “novos vampiros” que enchem as estantes das livrarias.

Claro que não estamos perante o livro perfeito, o seu defeito principal reside no enredo. A história é altamente previsível, simples e bastante “hollywoodesca”, o que acaba por eliminar boa parte do suspense e com ele algum do divertimento. Algumas cenas exigiam um maior desenvolvimento da história e algumas personagens parecem algo vazias e pediam que se perdesse mais algum tempo com elas.

Em suma, “A Estirpe”, é um livro interessante, rápido e cheio de acção mas que, infelizmente, não passa de uma excelente obra de literatura escapista. Agradou-me imenso ler este primeiro capítulo e aguardo com ansiedade os próximos.





Mário Barroso

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