
Autor: Joe Connelly
Título Original: Bringing Out the Dead (1998)
Editora: Planeta Editora
Páginas: 280
Sinopse: Frank Pierce é um paramédico que trabalha durante as altas horas da noite nas ruas de Hell’s Kitchen, um bairro de Nova Iorque, e que divide o trabalho em “Chamadas boas” e “Chamadas más”: por vezes, ele é o Padre Frank, enviado para salvar vítimas de excessos de álcool e drogas, acidentes de automóvel, tiroteios, cortes e ataques de asma, o realizador de milagres de rotina; outras vezes, encontra situações desesperadas onde os seus frenéticos esforços de ressuscitação são quase sempre inúteis e onde as vítimas lhe morrem nos braços.
Agora, como um padre já sem fé, Pierce afoga-se em culpa e desgosto pelos que não conseguiu salvar, atingindo um estado de completa exaustão emocional e entrando numa espiral de auto-destruição. A mulher deixou-o, começou a beber e, desde que entubou mal Rose, uma rapariga de 18 anos, asmática, que acabou por morrer, esta torna-se num pesadelo vivo, perseguindo-o nas suas noites de insónia pelas ruas, um símbolo de todos os seus erros. Enquanto a vida de Pierce se desmorona inevitavelmente ao mesmo tempo que salva a vida dos outros pela noite dentro, a única moral que consegue retirar é a de que “todos os dias há um Juízo Final…o fim está sempre presente”.
Review: Já li este livro há um bom par de anos. Na altura, a minha “ongoing” lista de livros andava um bocado nas lonas e fui revistar as escassas prateleiras da minha avó em busca de algo bom para ler. Foi aí que descobri este “Por Um Fio” de Joe Connelly, com uma capa catita vermelha com o Nicolas Cage e pensei: “parece-me bem, vamos lá ver o que é isto”. Pois bem, dou graças a Deus pela necessidade de revistar os livros da minha avó, pois a história do paramédico Frank Pierce foi das melhores que li até hoje, sem dúvida.
Connelly (que trabalhou ele próprio como paramédico no St. Clare’s Hospital em Hell’s Kitchen durante 10 anos) traz-nos um retrato algo biográfico do que é estar na linha da frente da emergência médica durante o “graveyard shift” (nome dado ao período das primeiras horas da madrugada), descrevendo, com uma escrita fluida e alucinante que nos deixa completamente agarrados e a chorar por muito mais, a realidade crua e brutal do que acontece enquanto todos dormem confortavelmente nas suas camas. Frank Pierce é o nosso guia por este mundo selvagem e não conseguimos evitar ser arrastados para a sua história, numa mistura de fascínio e horror.
O livro, “Bringing Out the Dead” no original, foi um bestseller imediato após a sua publicação e bastante bem aclamado pela crítica, tendo inclusive baseado mais uma permissa do argumentista Paul Schrader para o filme com o mesmo nome realizado por Martin Scorcese (a quarta colaboração entre o argumentista e o realizador, onde se incluem alguns dos seus melhores filmes: Taxi Driver e Touro Enraivecido), e que conta, obviamente, com Nicolas Cage no papel principal.
Se algum dia pensaram em ser paramédicos, não leiam este livro….ou então não deixem de lê-lo…
Raquel Pereira
0 Lambidelas