[LIVROS] Livros de Importação na Fnac

17 de março de 2010 à(s) 21:25

Há cerca de 3 meses atrás recebi um email que me irritou bastante sobre alguém que se sentia extraordinariamente ofendido porque foi a uma loja da fnac para comprar um DVD descobrindo mais tarde que o mesmo DVD custava menos 10€ numa outra loja qualquer. A pessoa em questão, de tão indignada que estava, queria fazer um movimento qualquer para que durante 1 semana ninguém comprasse nada aos porcos capitalistas franceses que tanto têm feito para arruinar as nossas vidas (não foi escrito assim mas o sentimento de revolta atingia níveis bastante elevados). Esta pessoa é claramente fraquinha de cabeça ou então é a primeira vez que faz compras na vida, se fosse minimamente inteligente verificava os preços em várias lojas antes de se atirar à primeira coisa que vê pela frente. Para encerrar este assunto, que apesar de ser o catalisador deste post não é o centro do mesmo, devo apenas dizer que adquiri na tal loja o DVD edição coleccionador de Sin City – Cidade do Pecado pela módica quantia de 5 euros, enquanto nas outras lojas teria pago algures entre 15 e 20 euros.

Com este assunto arrumado vamos ao assunto principal, livros de importação vendidos na fnac, nomeadamente os livros escritos em inglês (vou deixar de fora os livros em francês e castelhano pois não sendo consumidor dos mesmos não posso comentar). A primeira vez que eu me deparei com o preço dos livros no Reino Unido fiquei no mínimo boquiaberto, os paperbacks das novidades custavam cerca de 6 euros e os livros “clássicos” podiam custar algo como 3 euros. É então com muito agrado que venho a assistir a ascensão da importação de livros por parte da FNAC. Apesar dos livros que podemos comprar nas lojas não sejam, na sua maioria, tão baratos como os comprados pela internet são ainda extraordinariamente baratos. Passo a um exemplo muito concreto, se eu quiser ler “Crime e Castigo” de Fyodor Dostoevsky em português teria de comprar os 2 volumes (é possível que exista uma versão apenas num volume mas não consegui encontrar na fnac) que custam 23 euros cada um, teria de pagar portanto 46 euros por um livro; para o mesmo livro, em inglês, dei a quantia de 2.75 euros, ou seja 16 vezes menos, a única diferença, para além da língua, é ter capa mole (paperback). Isto não é só válido para livros clássicos, “Pilares da Terra” ou “Mundo sem Fim” de Ken Follet ambos custam 7 euros na versão inglesa paperback enquanto em português ambos estão separados em 2 volumes cujo preço, por volume, é de cerca de 20 euros.

A selecção é bastante variada, desde os clássicos da literatura até livros de autores mais recentes dentro de quase todos os estilos literários. O meu destaque pessoal vai, sem dúvida, para os autores mais clássicos, que se dividem maioritariamente em 2 colecções: “Wordsworth Classics” (2.75€ cada) e que conta com autores como Fyodor Dostoevsky, James Joyce, Bram Stoker, Jane Austen, etc e “Penguin Popular Classics” (3.75€) e que conta com uma quantidade gigantesca de nomes. Ainda de referir que os fãs de ficção-cientifica foram brindados com um número considerável de paperbacks de livros não traduzidos para português ou livros com edições antigas que são extremamente difíceis de conseguir, e isto a um preço muito simpático (por exemplo “Fundação” de Issac Asimov a 10€).

Em suma, existem paperbacks baratos e outros mais caros (13 a 20 euros) mas existem também os extremamente baratos, e alguns deles tem a vantagem de conterem um texto original e não uma tradução (para quem não tem noção da diferença que a tradução pode fazer aconselho a lerem um livro em português e depois na língua original para perceberem as diferenças). Claro que existem desvantagens, a primeira e mais óbvia é que o texto está em inglês e como tal estamos a “abandonar” o português, não só não ajuda no desenvolvimento da língua mãe mas trata-se de uma limitação para quem não tem um grande domínio da língua; alem disso os paperbacks, são relativamente frágeis e recomenda-se algum cuidado, especialmente após leituras repetidas. É verdade que estes livros nada contribuem para que o povo português domine melhor a sua língua, mas não se lhes pode tirar o mérito de abrir muitas portas numa altura de pouco dinheiro e de livros (absurdamente) caros.

Mário Barroso

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