[MÚSICA] Michael Bublé

3 de maio de 2010 à(s) 22:30
Ainda há poucos dias comentava com o meu namorado co-blogger a infelicidade do Michael Bublé não se lembrar deste pessoal do pequeno rectângulo do outro lado do Atlântico. Hoje, aliás precisamente à 2 semanas e 1 dia, sou uma das histericamente felizes donas de um bilhete para ver Mr.Bublé ao vivo e a cores no Pavilhão Atlântico, daqui a 6 longos meses.

A "Crazy Love Tour" começou em Março deste ano e inclui quase uma centena de actuações até Lisboa, passando pelos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Alemanha, Itália
e França. Portugal é a ultima paragem de Bublé, que se estreia no palco lusitano no dia 2 de Novembro, e já se assiste a uma corrida desenfreada aos bilhetes desde o primeiro momento em que foram postos à venda, de tal forma que a tour foi prolongada por mais um dia, com novo concerto para Portugal no dia 3 (já que a data de Lisboa é a última da sua tournée mundial). O preço dos bilhetes varia entre os 122 euros, para os lugares VIP na plateia, e os 35 euros, para o balcão superior (só para terem uma ideia, comprei os bilhetes no segundo dia de venda e os lugares mais caros já estavam todos esgotados....)

Michael Steven Bublé nasceu no Canadá no dia 9 de Setembro de 1975. A sua carreira de cantor começa no ano 2000, com o lançamento de três albums indepedentes,
First Dance (este ainda no ano de 1996), Babalu (2001) e Dream (2002), até se juntar à editora 143 Records, através da qual lança o seu álbum oficial de estreia, Michael Bublé (2003).

Com ar de menino reguila mas senhor de uma voz inconfundível de crooner com jeito à Sinatra, que vai emprestando às versões dos temas incontornáveis do jazz, do swing e d
o blues, a ascensão de Bublé não será certamente de estranhar, nem a sua música deixa ninguém indiferente. A parir daí, lançou mais 9 álbums: Totally Buble (2003), Let It Snow! (2003), Come Fly with Me (2004), It's Time (2005), Caught in the Act (2005), With Love (2006), Call Me Irresponsible (2007), Michael Bublé Meets Madison Square Garden (2009) e Crazy Love (2009).

Come Fly with Me, Caught in the Act e Michael Bublé Meets Madison Square Garden
apresentam actuações de Bublé ao vivo, tendo atingindo os tops de vendas e a
aprovação da crítica musical: Caught in the Act recebeu uma nomeação ao Grammy de Best Traditional Pop Vocal Album em 2007 e Michael Bublé Meets Madison Square Garden ganhou o prémio na mesma categoria ainda este ano, ao apresentar um dos maiores shows da carreira do cantor na Madison Square Garden, na cidade de Nova Iorque.

Bublé já vendeu mais de 25 milhões de álbuns no mundo inteiro; entre os seus maiores sucessos estão músicas como "Home", "Everything", e a mais recente
"Haven't Met You Yet", originais da sua (co)autoria. A lista de prémios que já ganhou é demasiado comprida para este post, mas inclui dois Grammy Awards (Call Me Irresponsible e Michael Bublé Meets Madison Square Garden) e vários Juno Awards (prémios da Canadian Academy of Recording Arts and Sciences).

E agora para os fãs, um miminho



Raquel Pereira

[LIVROS] Dia Mundial do Livro

23 de abril de 2010 à(s) 17:23


Em 1995 a UNESCO decidiu instaurar o dia mundial do livro e dos direitos de autor no dia 23 de Abril. O dia foi escolhido pelo seu significado para o mundo literário; na Catalunha comemora-se o Dia de São Jorge em que os homens oferecem rosas às suas amadas, que lhes oferecem um livro em troca. O dia de 23 de Abril marca também o nascimento e morte de William Shakespear, a morte de Miguel de Cervantes, Inca Garcilaso de la Vega e Josep Pla, e ainda o nascimento de Maurice Druon, Vladimir Nabokov, Manuel Mejía Vallejo e Halldór Laxness.


Não sou um enorme fã desta moda dos dias mundiais de tudo e mais alguma coisa, mas também não custa chamar a atenção para este Dia Mundial do Livro já que, cada vez mais, vivemos numa sociedade que pouca ou nenhuma importância dá à literatura, especialmente à boa literatura. Muita coisa pode ser dita sobre livros e os hábitos de leitura dos portugueses. No entanto aquilo que eu sinto é que muitas vezes falta a vontade de “pegar o touro pelos cornos” no que toca à questão do porquê de cada vez se ler menos. Sem, obviamente, possuir o tempo e a informação para abordar o assunto na sua globalidade vou apenas focar-me um pouco nas desculpas, muito pouco convincentes, que se costuma ouvir nas televisões e ler nas revistas para que os portugueses, em especial os jovens, não comprem livros e não tenham hábitos de leitura saudáveis.


O preço dos livros:
É verdade os livros são demasiado caros, e muitas vezes dar mais de 20 euros por um livro, especialmente para as famílias mais pobres seja um sacrifício ou mesmo uma impossibilidade. Mas será que os livros são assim tão caros que tal facto justifique, como tanta vez se ouve, o seu total abandono? Na minha opinião, dificilmente. Primeiro temos de ver que nem todos os livros custam 20 euros, existem livros na casa dos 12 euros, e se entrarmos no campo dos livros de bolso podemos encontrar alternativas por aproximadamente 5 euros. Ainda que limitados pela barreira linguística, os livros de importação podem constituir boas alternativas devido aos seus preços bastantes reduzidos (como já foi discutido num post anterior). Outro dos factores que se deve ter em conta é a existência de feiras e pequenas lojas que vendem livros em 2ª mão, obviamente por preços mais reduzidos. O que mais me chateia em relação a este assunto é o facto de muitas vezes nem serem as pessoas menos abastadas que se queixam do preço dos livros. Fica à consciência de cada um decidir se é melhor gastar 6 euros num livro de bolso ou numa vodka laranja numa discoteca. É obvio que eu gostava que os livros fossem mais baratos, especialmente para os jovens, mas como desculpa para não se ler parece-me muito pouco sólido.

Acesso a bibliotecas
A dificuldade de acesso a bibliotecas é uma queixa bastante frequente, e no que toca às populações mais isoladas das grandes cidades é um argumento, infelizmente, válido. Nos meios urbanos a questão é bastante diferente. Não me querendo alargar muito no assunto visto que não tenho grande experiência no campo das bibliotecas, aquilo que eu sei, é que vivo relativamente perto de 3 bibliotecas, e a menos de uma hora de comboio de outras tantas. Portanto não me parece que a maioria das pessoas tenha grande razão de queixa. Além disso a maioria (senão mesmo todas) as escolas têm uma biblioteca. Li no outro dia alguém que dizia que um dos grandes problemas das bibliotecas escolares é que estavam limitadas aos livros mais “clássicos” e que isso afastava os jovens que não se interessavam. Honestamente o único pensamento que eu tenho em relação a este tipo de argumentos é algo do género: se os jovens tivessem gostos de leitura isso implicava que gostariam de ler livros de qualidade, e como os “clássicos” são livros de qualidade, logo eles teriam vontade de ler os livros da biblioteca. Talvez eu esteja completamente errado e todos os “miúdos” devessem ter nas bibliotecas o mais recente livro do Capitão Cuecas.

Falta de Incentivos em casa
Mais uma vez é uma constatação triste; a geração dos nossos pais e avós, na generalidade não tem gostos de leitura nem incentiva ou incentivou os seus filhos/netos a ler. Para as mentes que acham que isto faz um sentido tremendo lamento informar que conheço alguns leitores ávidos cujos pais pouco ou nada lêem, e conheço os que vivem rodeados de livros em casa e não demonstram qualquer interesse. Não vou negar que possa ter alguma influência, mas assumir o argumento como crucial, implica dizer que o ambiente familiar é absolutamente determinante dos gostos do indivíduo e que o mesmo não apresenta livre arbítrio. Se tal argumento fosse válido, e portanto assumissemos o determinismo, seria de esperar que qualquer adolescente gostasse da mesma música que os pais e que os videojogos, por exemplo, não teriam grande expressão.

Falta de Incentivos na Escola
E isto é especialmente preocupante por ser uma realidade, já que nas nossas escolas pouco ou nada se incentiva a ler. Ainda mais triste é que quando se pede para ler, a avaliação dessa mesma leitura é sempre no sentido de ver se o indivíduo conseguiu memorizar uma série de conceitos, mesmo que não os perceba; o espírito crítico é sempre deixado para segundo plano. Como é que é possível dar poesia a ler a alguém e a seguir dizer que agora tem de memorizar as directrizes do ministério para a interpretação daquele texto (quem diz poesia diz qualquer outro texto). Onde é que está o espírito crítico? O poder interpretativo? E depois queixam-se que os alunos são “quadrados de pensamento”. A razão pela qual acho que este argumento não pode ser usado como definitivo, sem nunca negar a sua importância, é que todos os jovens passam pelo mesmo sistema de ensino; se estivéssemos a falar de um factor determinante seria de esperar que nenhum jovem se interessasse pela leitura. No entanto deve salientar-se que, felizmente, existem muitos bons professores de português por essas escolas, que todos os dias se esforçam para mudar este triste panorama, e que merecem todo o respeito.


Então afinal qual é o problema? Porque é que existem tão poucos leitores, especialmente na camada mais jovens? Como já referi não tenho uma resposta definitiva, tenho apenas a minha opinião. Primeiro é de constatar que os argumentos que refutei em cima têm o seu peso no processo, e como tal não podem, nem devem, ser ignorados, mas, também não podem ser vistos como definitivos. Segundo, acho que o problema principal é o desinteresse geral da sociedade, que não exige que os indivíduos tenham bases culturais para que se possam comportar dentro da sociedade e escalar na hierarquia social. Infelizmente vivemos num país onde apenas se exige apenas a mediocridade, em que decorar uma série de conceitos sem os perceber é suficiente para se subir na vida. Os indivíduos valorizam apenas aquilo que lhes oferece benefícios sociais ou pequenos prazeres acéfalos, por isso preferem ver coisas como telenovelas em vez de ler livros ou de experiemntar outra forma de cultura. Os níveis baixos de vendas de livro e de bons hábitos de literatura não são a doença, são um sintoma de algo muito maior, de um país culturalmente decadente e sem objectivos, de um sistema de ensino fraco e de uma sociedade fútil.
Mário Barroso



[MÚSICA] Bolas de Naftalina Vai ao Baile 1 - Teste 1,2,3

17 de abril de 2010 à(s) 18:54

Depois de um período de hibernação, volto com uma nova rubrica no blog. "Bolas de Naftalina vai ao Baile" pretende juntar música para todos os gostos, uma selecção de temas das bandas nossas conhecidas, diferentes dos singles que passamos a vida a ouvir na rádio; uma oportunidade para conhecer as "outras" músicas (ou encontrar mais um amigo fã).


Para vocês, pela primeira (espero eu) de muitas vezes, um mix saído directamente do meu fantástico MP3. Desfrutem!

The End of It All - 16 Volt
My Propeller - Arctic Monkeys
No I in Threesome - Interpol
Twisted Logic - Coldplay

Tourist - Julian Casablancas
Try your Best - Kaiser Chiefs

Miles Away-The Truth - Depeche Mode
Closer - Kings of Leon
Glorious - Muse
Soldier of Love - Sade
Paradise Circus - Massive Attack
Little Sister - Queens of The Stone Age
Runnig Up that Hill - Placebo
The National Anthem - Radiohead
Stylo - Gorillaz



Raquel Pereira

[LIVROS] 80ª Feira do Livro de Lisboa

11 de abril de 2010 à(s) 12:40
A 80ª Feira do Livro de Lisboa abre portas este ano no dia 29 de Abril, no Parque Eduardo VII, e estende-se até 16 de Maio. Este ano a feira integra 120 editoras distribuídas por 237 pavilhões, contando com debates e mesas redondas, que decorrerão às 18.30 horas nos dias úteis e às 17.30 horas aos fins-de-semana e feriados, e ainda música ao vivo todos os dias às 21.30h. De segunda a sexta a feira abre as 12.30 e encerra às 23.30, aos sábados, domingos e feriados abre às 11.00 horas e encerra às 23.30.

Mais informação será divulgada quando se encontrar disponível.

[CINEMA] Review - Homens Que Matam Cabras Só com o Olhar

5 de abril de 2010 à(s) 11:11

Realizador: Grant Heslov
Argumento: Peter Straughan (filme), Jon Ronson (livro)
Com: George Clooney, Ewan McGregor, Jeff Bridges, Kevin Spacey
Duração: 94 minutos

Homens que Matam Cabras Só com o Olhar, no original The Men Who Stare at Goats é só por si um título estranho, que nos enche a boca e que assenta que nem uma luva a esta história alucinada e inverosímil que mais parece saída do imaginário dos irmãos Cohen.

O filme segue a história presente do repórter de um jornal local, Bob Wilton (Ewan McGregor) que um dia entrevista Gus Lacey, um homem que afirma ter capacidades psíquicas e que Wilton primeiramente descarta como mais um maluquinho do pós-guerra. Quando a sua mulher o deixa pelo editor do jornal, Wilton, desesperado e furioso, viaja até ao Kuwait com um intuito de investigar os acontecimentos da guerra do Iraque. No entanto, acaba por tropeçar no grande furo da sua vida jornalística quando conhece o operador das Forças Especiais Lyn Cassady (George Clooney), que lhe revela ser parte de uma unidade do exército americana constituída por espiões psíquicos (denominados de “Guerreiros Jedi”), especialmente treinados a desenvolver uma serie de habilidades parapsicológicas que incluem a invisibilidade, o “
remote viewing” (habilidade de recolher informação acerca de um objecto escondido da vista e localizado à distância, utilizando percepção extra-sensorial ou intuição mental) e a capacidade de rebentar nuvens com a mente e de atravessar paredes.
A partir daí, Lyn e Wilton embarcam numa viagem cheia de peripécias pelo deserto iraquiano (intercalada com os flashbacks da historia de Lyn até ao momento), com a missão de encontrar o superior de Lyn (com o qual ele teve uma visão): Bill Django (Jeff Bridges). Django é o responsável pela criação do New Earth Army, baseada nas explorações do movimento New Age durante a sua viagem pela América dos anos 70, movidas por uma epifania que teve quando levou um tiro durante a guerra do Vietname.

O filme de Heslov tem a sua inspiração no livro do jornalista britânico Jon Ronson, acompanhado pelo documentário em três partes
Crazy Rulers Of The World, fruto do trabalho do jornalista e realizador John Sergeant.

No fundo,
The Men Who Stare at Goats apresenta-nos uma sátira ao período da Guerra Fria, um despique entre duas facções para ver quem reunia a maior parafernália de armas e interceptava a maior quantidade de informação inimiga (ainda que de qualidade duvidosa), mas onde na prática não acontecia nada; aqui, é um caso quase ridículo de: “temos de financiar estas experiências psíquicas com os nossos militares porque os russos também o fizeram, porque por sua vez pensavam que nós já o tínhamos feito”.

Apesar do propósito do filme parecer perder-se, por vezes, no desenrolar do enredo, resultando num amontoado de cenas sequenciais no mínimo bizarras (e se calhar, o propósito é mesmo esse, até porque o livro segue esse método), culminando num final pouco perceptível,
deparamo-nos com momentos tão especiais como a conversa entre Lyn e Wilton no quarto de hotel, sobre Jedis e o poder da Força, quando ironicamente Ewan McGregor (Wilton) é conhecido pelo seu papel de Obi-Wan-Kenobi nos primeiros (ou últimos) três filmes da saga da Guerra das Estrelas; um Jeff Bridges de tranças e um Clooney de cabelo comprido a dançarem danças de salão e a fazer tai-chi ou mesmo o homem que consegue levantar sacos de areia pelo escroto. E claro, a mítica cabra que morre sob o olhar fixo de Clooney, como teste ao alcance das suas capacidades psíquicas.

Tirando o chapéu a um realizador pouco conhecido como Heslov, que consegue reunir um elenco de estrelas de renome numa história pouco convencional, e apesar da pouca projecção nos cinemas portugueses, este é um filme que vale a pena ver, nem que seja só pelo humor negro e a comédia dos momentos, pela entrega total de actores sérios às suas personagens alucinadas (sublime George Clooney, muito pouco
sex-symbol “Nespresso Man” aqui) e pela ironia subliminar (em jeito de critica indirecta) presente em toda a história.


Raquel Pereira



[LIVROS] Jodi Picoult

2 de abril de 2010 à(s) 20:14

(Isto não é um despique, juro…) Mais uma autora que todos devem conhecer, a minha favorita de sempre;

Jodi Picoult nasceu e foi criada em Long Island, tendo-se mudado para o estado de New Hampshire quando tinha 13 anos. A sua primeira história, escreveu-a aos 5 anos de idade, um conto intitulado The Lobster Wich Misunderstood.

Estudou escrita criativa na Universidade de Princeton, altura em que publicou duas short-stories na revista Seventeen. Apesar da toda a criatividade, as dificuldades do mundo real levaram-na a uma série de ocupações diferentes depois de obter a graduação (onde aplicava os seus conhecimentos literários) tendo trabalhado numa correctora em Wall Street, numa agência de publicidade, numa editora e ainda como professora de Inglês do 8º ano; tudo isto antes de tirar um mestrado em Educação na Universidade de Harvard.

O seu primeiro livro, Songs of the Humpback Whale, foi escrito durante a gravidez do primeiro dos seus três filhos, tendo sido publicado no ano de 1992; a partir daí, publicou um romance diferente quase todos os anos, ao mesmo tempo que criava a família (filhos e animais de estimação incluídos) em Hanover (no New Hampshire) e ainda arranjava tempo para responder aos inúmeros pedidos de aparições públicas para promoção dos seus livros.

Escreveu dezassete romances até à data (na sua maioria bestsellers), desde Songs of the Humpback Whale ao seu mais recente House Rules, publicado este ano nos EUA. Alvos de uma longa lista de prémios, os seus livros estão traduzidos em 34 línguas diferentes, num total de 35 países. Em Portugal, já foram publicadas 9 traduções: O Pacto (The Pact), Tudo por Amor (Perfect Match), Uma Questão de Fé (Keeping Faith), Para a Minha Irmã (My Sister’s Keeper), Memórias Esquecidas (Vanishing Acts), O Décimo Circulo (The Tenth Circle), Dezanove Minutos (Nineteen Minutes), Frágil (Handle with Care) e Em Troca de Um Coração (Change of Heart), tendo estes três últimos atingido o nº 1 na lista de bestsellers do New York Times no seu pais de origem.
A par dos romances dramáticos que lhe granjearam o sucesso e o enorme reconhecimento mundial, foi autora de cinco edições da série de banda desenhada Wonder Woman, da DC Comics.

No campo das adaptações cinematográficas, três dos seus livros – The Pact, Plain Truth e The Tenth Circle – foram retratados no pequeno ecrã televisivo; My Sister’s Keeper deu origem ao filme com o mesmo nome realizado por Nick Cassavetes e contando com Cameron Diaz, Alec Baldwin e Abigail Breslin nos principais papéis, que estreou o ano passado nos cinemas portugueses (a titulo de curiosidade, o filme terá gerado polémica à volta do final distinto do do livro, o que arruinou a película a muito bom fã, que inclusive escreveu à autora a perguntar o porquê de ter permitido a destruição da história. Jodi afirmou que as alterações do guião em relação ao livro não eram da sua responsabilidade e que, apesar disso, o filme ganhava pelas boas interpretações dos seus actores e pela grande carga emocional retratada, que faziam daquela uma belíssima história; também terá recomendado a compra de uma caixa de Klennex aos mais sensíveis…).


Alguns artigos salientam a forma quase clarividente com que Jodi situa as suas histórias mesmo no meio dos dilemas morais que são a génese dos debates nacionais de hoje em dia; a sua carreira tem por base uma ficção que, apesar de obviamente fictícia, parece saltar directamente das discussões dos talk-shows e das “letras gordas” dos jornais. Aos 38 anos, quando muito bom autor está ainda a lançar o seu primeiro livro, Jodi já tinha publicado 12, todos livros que lidam com os principais “assuntos quentes” da nossa sociedade: desde a investigação de células estaminais ao suicídio na adolescência, passando pelo abuso sexual, o aborto, o incesto e a eutanásia.

Jodi não escreve à deriva; o seu trabalho assenta numa investigação intensa, com visitas a laboratórios médicos, conversas intermináveis com advogados e viagens a sítios remotos (apesar da maioria das tramas se situar no estado de New Hampshire, o lar da autora, por exemplo, The Tenth Circle desenrola-se em terreno mais inóspito, no Alasca). Segundo ela, esta é uma parte crucial do processo: é quando está profundamente embrenhada na pesquisa dos factos ou na condução de entrevistas que “ as luzes se acendem no seu cérebro, levando-a em novas direcções”.

Igualmente, Jodi tem um jeito com as palavras. Deixando de parte a minha capacidade inexperiente para a critica literária, (reconhecendo, obviamente, que não estamos perante uma escritora de génio, mas, sem dúvida uma boa escritora), é impossível não nos agarramos aos seus livros até nos esquecermos de tudo à nossa volta, só voltando à realidade quando é mesmo preciso ou bem…quando o livro acaba.
Há ali muitos elementos positivos: as reviravoltas inesperadas, a ironia das palavras e uma capacidade anormal para a chamada punch-line e para deixar o leitor na expectativa e a implorar por mais e mais. Isto mesmo sem contar com a história fenomenal e as personagens complexas e atractivas, marcadas quase sempre pela luta de uma mãe pelos filhos para lá do limite do que é ético e moral e por um processo jurídico ao grande estilo das séries de televisão. E até temos direito a reencontrar algumas das personagens (embora sempre num papel mais secundário) e seguir a sua evolução de um livro para o outro.


Para quem quiser seguir alguns conselhos práticos de uma fã acérrima (orgulho-me de dizer que, dos dezassete livros, já li doze), deixo aqui algumas notas;
Apesar de haver personagens recorrentes, não é obrigatório fazer uma leitura sequencial dos livros: cada um conta a sua história individual e é fácil apanhar os pedacinhos da história das personagens que voltam a aparecer; para além disso, as traduções portuguesas também não estão a seguir as datas de publicação e, já agora, são um bom ponto de partida para conhecer a bibliografia de Jodi, com uma qualidade de escrita/tradução bastante aceitável. No entanto (e como já foi referido neste blog) os livros de importação oferecem não só um preço mais em conta, como também uma maior variedade (visto que, obviamente, existem todos os dezassete na língua original) e uma maior percepção da escrita da autora.

Em relação aos próprios livros, só posso dizer os que gostei mais:
Para a Minha Irmã, que conta a história de Anna Fitzgerald e da sua luta contra os pais para obter a emancipação médica e deixar de ser a dadora da irmã, em estado terminal de leucemia;

Dezanove Minutos
, sobre o pesadelo do bullying e de uma vingança ao estilo Columbine que marcam a vida do adolescente Peter Houghton;


Salem Falls
(ainda não traduzido em português) mostra como uma simples acusação de abuso sexual baseada na inveja e irreverência adolescente pode destruir a vida de um homem inocente e iniciar uma caça-às-bruxas dos tempos modernos;


O Décimo Circulo
, uma viagem quase literal aos dez círculos do inferno pessoal de Daniel Stone, quando a sua filha é violada pelo namorado.



Para todos e mais alguns, enjoy

Raquel Pereira

[CINEMA] Review - Estado de Guerra

1 de abril de 2010 à(s) 20:30
Realizadora: Kathryn Bigelow
Argumento: Mark Boal
Com: Jeremy Renner, Anthony Mackie, Brian Geraghty e Ralph Fiennes
Duração: 131



Review: Considerei durante bastante tempo se me devia meter na empreitada de fazer um comentário (isto vai ser mais um comentário do que propriamente uma review) ao filme “Estado de Guerra” (mais conhecido por “The Hurt Locker”), isto porque, muito sinceramente, mesmo já tendo reflectido sobre o assunto, não consigo ter uma opinião sólida sobre o filme. A primeira coisa que me apetece dizer sobre o filme é que fico contente por ter ganho a Avatar, a segunda coisa é que não percebo muito bem porque levou o Oscar para melhor filme. Mesmo só tendo visto metade da lista dos nomeados posso dizer com toda a certeza que “Sacanas sem lei” ou “Distrito 9” mereciam muito mais o prémio de melhor filme, e de melhor realizador, do que Hurt Locker ou Avatar.


O filme propriamente dito trata da malfadada guerra do Iraque, mais propriamente de uma equipa de desmantelamento de bombas. A premissa era interessante e se há algo que o filme consegue é trazer uma nova visão dos soldados dos EUA, que neste caso não são tratados nem como semi-deuses nem como incarnações do demónio. E esse facto é capaz de ser o melhor e o pior do filme. O que acontece é que sendo as personagens um retrato, supostamente, fiel do soldado não há grande coisa com que o espectador comum se possa relacionar, não existem lados para se tomar, a linha entre o bem e o mal, o amigo e o inimigo, simplesmente não existe. Nesse aspecto posso afirmar que nunca tinha visto um filme de guerra que apresentasse as coisas de uma forma tão pouco dinâmica, mas ao mesmo tempo tão real.

O enredo em si também não suscita grande excitação, no fundo este filme é uma sequência relativamente desconexa de eventos. Se resolvessem trocar o desmantelamento em local X por uma situação idêntica em local Y não haveria nenhuma diferença visível no desenrolar do filme. Um dos principais problemas, na minha opinião, é a falta de suspense no desenrolar da história, os desarmes dos diversos engenhos explosivos são interessantes mas “ficam velhos” rapidamente, além disso existe sempre o factor “estamos a metade do filme é óbvio que o personagem principal não vai morrer” e por isso não sobra grande coisa para entreter o espectador.

Dum ponto de vista mais técnico o Hurt Locker não apresenta grandes problemas, a fotografia e a sonoplastia foram bem executados. Quanto à realização, achei competente mas nada de transcendente ou revolucionário. O mesmo pode ser dito dos actores, competentes mas sem impressionarem.

Em suma Hurt Locker é um bom filme, apesar de não ser altamente entusiasmante consegue “agarrar” o suficiente para que não se torne chato. É um filme simples feito de retalhos de uma guerra desconexa, vazia e sem objectivo e é precisamente nisso que está o seu mérito. É a guerra tal como ela é e não como nos filmes.


Mário Barroso

[LIVROS] Haruki Murakami

26 de março de 2010 à(s) 22:42

Falar de Haruki Murakami é uma tarefa um tanto ou quanto penosa para mim. Primeiro porque sei que muito dificilmente qualquer coisa que possa escrever poderá alguma vez ser representativo da complexidade presente nas obras do autor; e segundo porque dificilmente poderei proferir uma análise justa e independente da minha adoração pelos livros que já li. Portanto, o texto que se segue não tenta ser uma análise imparcial, não tenta ser uma avaliação, mas apenas um veículo para divulgar a vida e obra de Murakami.


Haruki Murakami nasceu em Quioto a 12 de Janeiro de 1949, em pleno baby-boom e no coração do Japão pós-guerra. Filho único de professores de literatura japonesa, Murakami rapidamente desenvolveu um gosto pela cultura americana em detrimento das influências tradicionais do ambiente familiar. Começou por ler Chekhov, Dostoyevsky, Flaubert e Dickens, mas rapidamente passou para literatura americana, histórias de detectives, ficção científica, Kurt Vonnegut, Richard Brautigan ou Truman Capote. Ao mesmo tempo que as portas da literatura ocidental se abriam, Murakami, começou a ouvir Beatles, Beach Boys e Elvis. A influência da cultura americana marcou profundamente o seu crescimento e constitui uma influência constante nos seus livros.

Em 1963, com 14 anos, Murakami iria encontrar uma das suas maiores paixões, a música Jazz, ao assistir a um concerto de Art Blakey and the Jazz Messengers. O Jazz marcou tanto a sua vida que em 1971, pouco tempo depois de casar com Yoko Takahashi, decidiu abrir um bar de Jazz em Tóquio a que chamou Peter Cat, em homenagem ao seu gato (os gatos são também um elemento importante na sua obra). Alem de dono, Murakami, servia bebidas, levantava pratos, mudava os discos e escolhia os artistas que todos os fins-de-semana se apresentavam no bar. Nos tempos livres que o trabalho lhe permitia dedicava-se à leitura e ao estudo, tendo terminado o curso de dramaturgia em 1975.

 A sua carreira como escritor começou apenas em 1978, depois de ter tido a ideia de escrever um livro enquanto assistia a um jogo de basebol. Após 6 meses de noites em branco, e com Yoko como principal apoio, Hear the Wind Sing viu a luz do dia. O seu primeiro livro já contava com bastantes elementos que se tornaram recorrentes na obra de Murakami: problemas da adolescência, literatura, jazz e um sentido de humor alternativo. O livro valeu-lhe um prémio literário para novos autores.

O sucesso das suas short stories e do seu segundo livro, Pinball, 1973, levaram à decisão de vender o bar e Murakami tornou-se num escritor a tempo inteiro. Esta mudança de profissão levou a um mudança radical no seu estilo de vida, que incluía horários rígidos e uma alimentação saudável, e que se encontra disseminada pela obra do autor. Para descansar da sua escrita iniciou nesta época a sua carreira como tradutor de literatura americana.

Em 1982 é editado A Wild Sheep Chase (Em Busca do Carneiro Selvagem) que confirma a individualidade do autor. O livro foi considerado alucinatório e surrealista e revelou-se um sucesso entre os críticos, tendo estabelecido Murakami como uma das novas vozes da literatura nipónica. O autor considera este o seu primeiro bom livro e revela que foi a primeira vez que sentiu uma verdadeira paixão por aquilo que escrevia.

Em 1985, Murakami escreve Hard-Boiled Wonderland and the End of the World, elevando novamente os níveis de complexidade narrativa. Em 1987 lança Norwegian Wood, uma história simples, directa e altamente sentimental. O livro vendeu milhões de cópias entre os jovens japoneses, tornando Murakami numa espécie de super-estrela pop no Japão. Vivendo em Itália o autor viveu toda esta febre de longe, e apenas quando voltou ao Japão em 1988, após escrever Dance, Dance, Dance (Dança, Dança, Dança) se viu confrontado com o seu novo estatuto. Descontente com a situação decidiu fugir, primeiro para a Europa e depois para os Estados Unidos onde escreveu South of the Border, West of the Sun (A Sul da Fronteira, A Oeste do Sol) e The Wind-Up Bird Chronicle (Crónica do Pássaro de Corda). Publicado em 1994, The Wind-Up Bird Chronicle, faz uma fusão entre elementos realísticos e fantásticos e possui uma maior vertente social abordando o massacre de Manchúria. O livro ganhou o Yomiuri Prize que foi entregue a Murakami por um dos seus maiores críticos, Prémio Nobel da literatura 1994, Kenzaburo Oe.

No inicio de 1995 dois incidentes levam Murakami a afastar-se da ficção. A 17 de Janeiro a região de Kobe no Japão é violentamente atingida por um terramoto de magnitude 6.8 que levou à morte de mais de 6400 pessoas. A 20 de Março membros da Aum Shinrikyo, um grupo religioso japonês, lançou um ataque com gás Sarin no metro de Tóquio matando 13 pessoas e causando pelo menos mais 50 feridos. O resultado foi Underground, um trabalho que consistia maioritariamente em entrevistas a vítimas do ataque no metro, e After the Quake uma colecção de short stories.

Em 1999 é lançado Sputnik Sweetheart (Sputnik, meu amor) e em 2002 Kafka on the Shore (Kafka à Beira-mar), a história sobre um rapaz de 15 anos que decide fugir de casa. Kafka à Beira-mar exibe quase todos os traços característicos de Murakami, as situações do quotidiano são exploradas pela metáfora e os elementos surreais fundem-se com a realidade, brindando o leitor com uma intricada e homogénea narrativa à qual dificilmente se pode ficar indiferente. O livro valeu-lhe o Franz Kafka Prize em 2006.

Em 2004 é editado After Dark (Os Passageiros da Noite), um romance pós-moderno sobre a vida irracional, ilógica e perturbada a altas horas da noite. Em 2007 é lançado What I Talk About When I Talk About Running (Auto-retrato do Escritor Enquanto Corredor de Fundo), um livro de memórias sobre as suas experiências enquanto corredor de fundo. Murakami começou a correr no inicio dos anos 80 tendo já completado mais de 20 maratonas e 1 ultra-maratona.

Em 2009 foram publicados os dois primeiros volumes do seu mais recente trabalho, 1Q84, sendo que o volume final tem data de lançamento marcada para Abril de 2010. Este ano será ainda possível ver a adaptação cinematográfica de Norwegian Wood do realizador Franco-vietnamita Tran Anh Hung.

Num resumo simplista pode dizer-se que o trabalho de ficção de Murakami, fortemente criticado pelos autores nipónicos conservadores, baseia-se no surreal com traços humorísticos mas que ao mesmo tempo contempla fortemente o sentimento da perda e da solidão. É também uma forte crítica à sociedade japonesa contemporânea, e ao mundo ocidental em geral, ao atacar o declínio dos valores morais e das relações humanas.

Como já tinha dado a entender no inicio deste texto, Haruki Murakami, é um dos meus autores favoritos e recomendo vivamente a leitura da sua obra. Não tendo lido ainda toda a obra do autor, recomendo especialmente Kafka, à Beira-Mar, Em Busca do Carneiro Selvagem e After Dark, este último sendo um excelente livro para iniciar a exploração de Murakami pois apresenta os traços gerais do autor sem se tornar exaustivo. Para quem se sentir mais confiante então Em Busca do Carneiro Selvagem é provavelmente o melhor do autor traduzido para português, sendo Kafka à Beira-mar o meu favorito apenas porque as situações apresentadas na narrativa exercem sobre mim uma maior influência.

"The best way to think about reality is to get as far away from it as possible" - Haruki Murakami, The Wind-Up Bird Chronicle



Mário Barroso

[MÚSICA] The Temper Trap

25 de março de 2010 à(s) 16:48

Mesmo estando o artista da semana já sabiamente escolhido (Go White Stripes!) não posso deixar passar a oportunidade de dar a conhecer a minha mais recente descoberta musical: a banda australiana The Temper Trap.

A banda de Melbourne é composta pelos “bons rapazes” Dougie Mandagi (voz, guitarra), Jonathon Aherne (baixo), Lorenzo Sillitto (guitarra, teclado) e Toby Dundas (bateria) e enquadra-se no género do rock alternativo com alguma mistura punk, com uma sonoridade que, embora algo estranha (veja-se o timbre de voz do vocalista, o senhor armado de pá e vassoura na foto), é extremamente agradável e envolvente e mostra-nos algo diferente do habitual, uma lufada de ar fresco no meio da mediocridade que anda por aí hoje em dia, onde é frequente a sensação de que as músicas que ouvimos na rádio são todas versões da mesma melodia cansada….


O primeiro e único álbum dos The Temper Trap até ao momento, Conditions, foi lançado o ano passado na Austrália (em Junho de 2009), atingindo automaticamente os tops no nono lugar. Mandagi aponta como principais influências bandas como os Radiohead, Prince, Massive Attack ou U2, uma panóplia de estilos certamente variada que fazem deste álbum um óptimo exercício musical.


A estreia oferece-nos grandes hits como “Sweet Disposition”, “Science of Fear” e “Fader”, composições aliás utilizadas em diversos anúncios, filmes, séries e campanhas televisivas (só para referir alguns exemplos: “Sweet Disposition” integra a banda sonora do recente filme 500 Days of Summer de Marc Webb, bem como anúncios da Chrysler, da Sky Sports ou da Diet Coke e “Fader” surge num dos episódios da mais recente série “vampiresca” The Vampire Diaries). Mas desengane-se quem ache que a banda fica por aqui: nenhuma das músicas do álbum deve ser ignorada; por exemplo, “Soldier On” e “Love Lost” são igualmente muito boas.


Conditions tem sido bem recebido pela crítica geral, especialmente no país de origem da banda, com várias nomeações para os ARIA Awards (Australian Recording Industry Association Music Awards), incluindo Álbum do Ano e Single do Ano (“Sweet Disposition”).


Por tudo isto e muito mais, e para os mais distraídos (ou para os já fãs da banda), deixo-vos aqui com um pequeno “taste” do que estão a perder (ou a ganhar…).

Raquel Pereira