[MÚSICA] Bolas de Naftalina Vai ao Baile 2 - A intervenção do NANO

18 de julho de 2010 à(s) 12:18
Depois de um período de muita ocupação, o Bolas de Naftalina arranja finalmente tempo para se divertir e voltar ao bailarico. Com a colaboração especial de um Ipod Nano da família, esta 2ª edição do BNVB apresenta uma verdadeira miscelânia musical para encher bem o ouvido. Disfrutem!

(Agora com novidade: clicar na música para ouvir!)

- There There - Radiohead
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Consoler of The Lonely - The Racounters
- About Face - Grizzly Bear
- Guilty - Youth Group
- Heavy - Collective Soul
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Play with Fire - Cobra Verde
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Pace is the Trick - Interpol
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Every Day is Exactly the Same - Nine Inch Nails
- Scarecrow - Beck
- Agoraphobia - Incubus
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Saturday Morning - Eels
- Fortress - Pinback
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Is there a ghost - Band of Horses
- Sort of - Silversun Pickups
- With You In My Head - UNKLE ft. The Black Angels



Raquel Pereira

[LIVROS] Review - Este País Não é Para Velhos

à(s) 00:06
Autor: Cormac McCarthy
Título original: No Country for Old Men
Editora: Relógio D'Água
Páginas: 310 (no original)

Sinopse: Llewellyn Moss encontra uma carrinha cheia de cadáveres, um carregamento de heroína e dois milhões de dólares no banco de trás. Quando pega no dinheiro, dá início a uma cadeia de reacções de violência catastrófica que nem a lei pode controlar.

Opinião: “Este país não é para velhos” é um caso interessante de literatura. Cormac McCarthy não revolucionou o estilo policial/western mas fez questão de meter lá dentro todos os ingredientes para tornar este livro uma experiência especial conseguindo misturar, com excelência, o melhor do policial com o melhor do drama. A história gira à volta de Llewelyn Moss, um homem do campo que encontra uma mala com 2 milhões de dólares, despojos do tráfico de droga na fronteira do Texas com o México, e da sua fuga de Anton Chigurh, um assassino que tudo fará para ver Moss morto. Dentro deste âmbito da história não existe nada particularmente novo e o grande destaque vai mesmo para Chigurh que muito mais que o mau da fita é uma força do mal, insaciável e imparável, um ser psicopata amoral que representa todos os demónios que habitam aquelas terras áridas.

No outro lado do espectro encontramos o Xerife Bell, um veterano da II Guerra Mundial em luta constante com a modernidade. No inicio de cada capitulo o autor apresenta um monólogo de Bell em que este narra, de forma resignada, a sua impossibilidade em acompanhar os tempos modernos. É aqui que este livro é maior, na luta impossível de um homem velho e derrotado contra um mal que não conhece barreiras e contra o qual não possui quaisquer armas.

Este é o primeiro livro que li deste autor e não tinha qualquer ideia do que me esperava quando o comecei a ler, sabia apenas que o filme tinha ganho o Óscar para melhor filme, mas fiquei positivamente surpreendido. É um livro rápido, com bastante acção, mas também com personagens apuradas e diálogos com significado, agarrando o leitor desde a primeira página e só largando no final. A escrita é simples e eficaz como se pretende neste tipo de livros mas muito inteligente, e existe um excelente equilíbrio entre as cenas de acção e as partes mais dramáticas, deixando o leitor constantemente a querer saber o que vai acontecer a seguir. Fiquei muito contente com o livro e estou bastante ansioso por ler mais livros deste autor. O próximo será “A Estrada”, vencedor do prémio Pulitzer de 2007.

Uma pequena nota em relação à adaptação ao cinema do livro pelos irmãos Cohen. O filme é muito interessante e conta com grandes intrepertações, especialmente Javier Bardem que brilha na personagem de Chigurh. Muitas das cenas, especialmente no inicio são quase que uma fotocópia do livro, mas infelizmente foca-se principalmente na fuga de Llewelyn e na sua luta contra Chigurh, sendo que os monólogos de Bell foram praticamente omitidos e por isso a personagem está quase suprimida, não sendo tão forte o sentimento de impotência deste a realidade actual. Penso que se não tivesse lido o livro teria achado o enredo substancialmente mais interessante, mas de qualquer forma recomendo, especialmente para quem já tenho lido.


Mário Barroso

[LIVROS] Review - Clube de Combate

23 de junho de 2010 à(s) 22:09

Autor: Chuck Palahniuk

Título Original: Fight Club (1996)
Editora: Vintage
Páginas: 208

Sinopse: As experiências de um protagonista anónimo, um zé-ninguém com uma vida perfeitamente insignificante como funcionário de uma empresa de automóveis, responsável por determinar se a recolha de produtos defeituosos apresenta uma relação custo-benefício mais positiva que o aumento da taxa de mortalidade por acidentes de viação de "causa desconhecida". Uma identidade imposta pelo trabalho,um consumo obsessivo de mobília sueca e uma vida quase completamente passada a bordo de aviões em viagens de negócios, levam este homem a um estado de jet lag perpétuo e insónia aparentemente incurável. Inspirado pela opinião desesperada e algo irónica do seu médico, acaba por encontrar o alívio que procura na personificação de doente moribundo em vários grupos de apoio de doentes, onde descobre que ouvir as histórias dramáticas e chorar nos braços dos seus companheiros é a cura perfeita para semanas e semanas de insónia.
Pouco tempo depois, conhece Tyler Durden, um carismático individuo, anarco-niilista e com um ódio de morte à sociedade do consumo, ao materialismo e ao capitalismo. Juntos criam o Clube de Combate (Fight Club), sociedade underground e supostamente secreta onde homens de todas as classes sociais abdicam da sua identidade (e dinheiro) para passarem 5 horas a darem cabo uns dos outros à porrada, segundo um conjunto de regras que todos seguem religiosamente. Uma sociedade rapidamente tornada um culto á escala nacional e que rapidamente descamba em ataques cada vez mais elaborados à América corporativa, com o objectivo de destruição da civilização moderna como a conhecemos.


Review:
Segundo o autor, antes de todo o culto real à roda do livro, antes da estreia do filme (realizado por David Fincher e protagonizado por Brad Pitt e Edward Norton, numa fiel adaptação da história), antes da criação de Clubes de Combate ilegais nos EUA, no Brasil e pelo mundo fora, antes da apresentação do "look fight club" na colecção da Versace e D&G, antes dos jovens mudarem legalmente o seu nome para Tyler Durden, antes das conferências académicas para o estudo do livro na Universidade da Pensilvânia, antes do assédio do autor por editores de revistas e jornais que prentendiam encontrar o Clube de Combate mais próximo e para lá enviar um reportér infiltrado, antes do assédio do autor por editores de revistas e jornais a desancá-lo por afirmar que os Clubes de Combate não passavam de ficção, antes do frigorífico do autor estar completamente coberto de fotografias enviadas por fãs sorridentes de caras esmurradas e manietando amigos em ringues de boxe nos quintais de sua casa, antes de milhares de cartas de agradecimento por uma história que levou filhos/maridos/alunos a voltar a ler ou de desagrado pela invenção prévia de Clubes de Combate.........antes de tudo isto, Fight Club era apenas uma short-story de 7 páginas (publicada na compilação The Pursuit of Happiness e actualmente correspondente ao 6º capitulo do livro), inspirada numa luta num acampamento de Verão: apesar do olho negro e inchado, nenhum dos colegas de trabalho do autor lhe perguntou o que acontecera e este percebeu que basicamente "podes fazer qualquer coisa na tua vida privada, desde que te deixe tão ferido e marcado que ninguém queira saber os pormenores". O conceito surgia para colmatar a falta de "um novo modelo social para que os homens, exclusivamente, se reunissem e estivessem juntos e partilhassem as suas vidas, com uma estrutura, com papeis, com regras e tarefas, mas nada muito lamecha".


Para a reedição de Fight Club na forma de livro singular, Chuck adicionou à short-story as histórias dos amigos, desde a introdução de imagens subliminares de pornografia por entre os frames dos filmes da Disney à adulteração da comida de restaurantes requintados com temperos menos próprios e demasiado "pessoais". Na minha opinião, a combinação resulta numa leitura deveras interessante e tão estimulante para os que já tinham visto o filme como para os que nunca o viram, com situações bem humorísticas (ainda que de uma forma um bocado retorcida) e genialmente tresloucadas, e pérolas de conhecimento imperdíveis como como fazer nitroglicerina, como fazer napalm, como nunca devemos confiar num empregado de mesa, projector de cinema ou fabricante de sabonetes com olhos negros e dentes partidos, e por aí fora....E, último conselho, lê-lo na língua original é tão melhor de certeza absoluta.....


Raquel Pereira

[MÚSICA] Michael Bublé

3 de maio de 2010 à(s) 22:30
Ainda há poucos dias comentava com o meu namorado co-blogger a infelicidade do Michael Bublé não se lembrar deste pessoal do pequeno rectângulo do outro lado do Atlântico. Hoje, aliás precisamente à 2 semanas e 1 dia, sou uma das histericamente felizes donas de um bilhete para ver Mr.Bublé ao vivo e a cores no Pavilhão Atlântico, daqui a 6 longos meses.

A "Crazy Love Tour" começou em Março deste ano e inclui quase uma centena de actuações até Lisboa, passando pelos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Alemanha, Itália
e França. Portugal é a ultima paragem de Bublé, que se estreia no palco lusitano no dia 2 de Novembro, e já se assiste a uma corrida desenfreada aos bilhetes desde o primeiro momento em que foram postos à venda, de tal forma que a tour foi prolongada por mais um dia, com novo concerto para Portugal no dia 3 (já que a data de Lisboa é a última da sua tournée mundial). O preço dos bilhetes varia entre os 122 euros, para os lugares VIP na plateia, e os 35 euros, para o balcão superior (só para terem uma ideia, comprei os bilhetes no segundo dia de venda e os lugares mais caros já estavam todos esgotados....)

Michael Steven Bublé nasceu no Canadá no dia 9 de Setembro de 1975. A sua carreira de cantor começa no ano 2000, com o lançamento de três albums indepedentes,
First Dance (este ainda no ano de 1996), Babalu (2001) e Dream (2002), até se juntar à editora 143 Records, através da qual lança o seu álbum oficial de estreia, Michael Bublé (2003).

Com ar de menino reguila mas senhor de uma voz inconfundível de crooner com jeito à Sinatra, que vai emprestando às versões dos temas incontornáveis do jazz, do swing e d
o blues, a ascensão de Bublé não será certamente de estranhar, nem a sua música deixa ninguém indiferente. A parir daí, lançou mais 9 álbums: Totally Buble (2003), Let It Snow! (2003), Come Fly with Me (2004), It's Time (2005), Caught in the Act (2005), With Love (2006), Call Me Irresponsible (2007), Michael Bublé Meets Madison Square Garden (2009) e Crazy Love (2009).

Come Fly with Me, Caught in the Act e Michael Bublé Meets Madison Square Garden
apresentam actuações de Bublé ao vivo, tendo atingindo os tops de vendas e a
aprovação da crítica musical: Caught in the Act recebeu uma nomeação ao Grammy de Best Traditional Pop Vocal Album em 2007 e Michael Bublé Meets Madison Square Garden ganhou o prémio na mesma categoria ainda este ano, ao apresentar um dos maiores shows da carreira do cantor na Madison Square Garden, na cidade de Nova Iorque.

Bublé já vendeu mais de 25 milhões de álbuns no mundo inteiro; entre os seus maiores sucessos estão músicas como "Home", "Everything", e a mais recente
"Haven't Met You Yet", originais da sua (co)autoria. A lista de prémios que já ganhou é demasiado comprida para este post, mas inclui dois Grammy Awards (Call Me Irresponsible e Michael Bublé Meets Madison Square Garden) e vários Juno Awards (prémios da Canadian Academy of Recording Arts and Sciences).

E agora para os fãs, um miminho



Raquel Pereira

[LIVROS] Dia Mundial do Livro

23 de abril de 2010 à(s) 17:23


Em 1995 a UNESCO decidiu instaurar o dia mundial do livro e dos direitos de autor no dia 23 de Abril. O dia foi escolhido pelo seu significado para o mundo literário; na Catalunha comemora-se o Dia de São Jorge em que os homens oferecem rosas às suas amadas, que lhes oferecem um livro em troca. O dia de 23 de Abril marca também o nascimento e morte de William Shakespear, a morte de Miguel de Cervantes, Inca Garcilaso de la Vega e Josep Pla, e ainda o nascimento de Maurice Druon, Vladimir Nabokov, Manuel Mejía Vallejo e Halldór Laxness.


Não sou um enorme fã desta moda dos dias mundiais de tudo e mais alguma coisa, mas também não custa chamar a atenção para este Dia Mundial do Livro já que, cada vez mais, vivemos numa sociedade que pouca ou nenhuma importância dá à literatura, especialmente à boa literatura. Muita coisa pode ser dita sobre livros e os hábitos de leitura dos portugueses. No entanto aquilo que eu sinto é que muitas vezes falta a vontade de “pegar o touro pelos cornos” no que toca à questão do porquê de cada vez se ler menos. Sem, obviamente, possuir o tempo e a informação para abordar o assunto na sua globalidade vou apenas focar-me um pouco nas desculpas, muito pouco convincentes, que se costuma ouvir nas televisões e ler nas revistas para que os portugueses, em especial os jovens, não comprem livros e não tenham hábitos de leitura saudáveis.


O preço dos livros:
É verdade os livros são demasiado caros, e muitas vezes dar mais de 20 euros por um livro, especialmente para as famílias mais pobres seja um sacrifício ou mesmo uma impossibilidade. Mas será que os livros são assim tão caros que tal facto justifique, como tanta vez se ouve, o seu total abandono? Na minha opinião, dificilmente. Primeiro temos de ver que nem todos os livros custam 20 euros, existem livros na casa dos 12 euros, e se entrarmos no campo dos livros de bolso podemos encontrar alternativas por aproximadamente 5 euros. Ainda que limitados pela barreira linguística, os livros de importação podem constituir boas alternativas devido aos seus preços bastantes reduzidos (como já foi discutido num post anterior). Outro dos factores que se deve ter em conta é a existência de feiras e pequenas lojas que vendem livros em 2ª mão, obviamente por preços mais reduzidos. O que mais me chateia em relação a este assunto é o facto de muitas vezes nem serem as pessoas menos abastadas que se queixam do preço dos livros. Fica à consciência de cada um decidir se é melhor gastar 6 euros num livro de bolso ou numa vodka laranja numa discoteca. É obvio que eu gostava que os livros fossem mais baratos, especialmente para os jovens, mas como desculpa para não se ler parece-me muito pouco sólido.

Acesso a bibliotecas
A dificuldade de acesso a bibliotecas é uma queixa bastante frequente, e no que toca às populações mais isoladas das grandes cidades é um argumento, infelizmente, válido. Nos meios urbanos a questão é bastante diferente. Não me querendo alargar muito no assunto visto que não tenho grande experiência no campo das bibliotecas, aquilo que eu sei, é que vivo relativamente perto de 3 bibliotecas, e a menos de uma hora de comboio de outras tantas. Portanto não me parece que a maioria das pessoas tenha grande razão de queixa. Além disso a maioria (senão mesmo todas) as escolas têm uma biblioteca. Li no outro dia alguém que dizia que um dos grandes problemas das bibliotecas escolares é que estavam limitadas aos livros mais “clássicos” e que isso afastava os jovens que não se interessavam. Honestamente o único pensamento que eu tenho em relação a este tipo de argumentos é algo do género: se os jovens tivessem gostos de leitura isso implicava que gostariam de ler livros de qualidade, e como os “clássicos” são livros de qualidade, logo eles teriam vontade de ler os livros da biblioteca. Talvez eu esteja completamente errado e todos os “miúdos” devessem ter nas bibliotecas o mais recente livro do Capitão Cuecas.

Falta de Incentivos em casa
Mais uma vez é uma constatação triste; a geração dos nossos pais e avós, na generalidade não tem gostos de leitura nem incentiva ou incentivou os seus filhos/netos a ler. Para as mentes que acham que isto faz um sentido tremendo lamento informar que conheço alguns leitores ávidos cujos pais pouco ou nada lêem, e conheço os que vivem rodeados de livros em casa e não demonstram qualquer interesse. Não vou negar que possa ter alguma influência, mas assumir o argumento como crucial, implica dizer que o ambiente familiar é absolutamente determinante dos gostos do indivíduo e que o mesmo não apresenta livre arbítrio. Se tal argumento fosse válido, e portanto assumissemos o determinismo, seria de esperar que qualquer adolescente gostasse da mesma música que os pais e que os videojogos, por exemplo, não teriam grande expressão.

Falta de Incentivos na Escola
E isto é especialmente preocupante por ser uma realidade, já que nas nossas escolas pouco ou nada se incentiva a ler. Ainda mais triste é que quando se pede para ler, a avaliação dessa mesma leitura é sempre no sentido de ver se o indivíduo conseguiu memorizar uma série de conceitos, mesmo que não os perceba; o espírito crítico é sempre deixado para segundo plano. Como é que é possível dar poesia a ler a alguém e a seguir dizer que agora tem de memorizar as directrizes do ministério para a interpretação daquele texto (quem diz poesia diz qualquer outro texto). Onde é que está o espírito crítico? O poder interpretativo? E depois queixam-se que os alunos são “quadrados de pensamento”. A razão pela qual acho que este argumento não pode ser usado como definitivo, sem nunca negar a sua importância, é que todos os jovens passam pelo mesmo sistema de ensino; se estivéssemos a falar de um factor determinante seria de esperar que nenhum jovem se interessasse pela leitura. No entanto deve salientar-se que, felizmente, existem muitos bons professores de português por essas escolas, que todos os dias se esforçam para mudar este triste panorama, e que merecem todo o respeito.


Então afinal qual é o problema? Porque é que existem tão poucos leitores, especialmente na camada mais jovens? Como já referi não tenho uma resposta definitiva, tenho apenas a minha opinião. Primeiro é de constatar que os argumentos que refutei em cima têm o seu peso no processo, e como tal não podem, nem devem, ser ignorados, mas, também não podem ser vistos como definitivos. Segundo, acho que o problema principal é o desinteresse geral da sociedade, que não exige que os indivíduos tenham bases culturais para que se possam comportar dentro da sociedade e escalar na hierarquia social. Infelizmente vivemos num país onde apenas se exige apenas a mediocridade, em que decorar uma série de conceitos sem os perceber é suficiente para se subir na vida. Os indivíduos valorizam apenas aquilo que lhes oferece benefícios sociais ou pequenos prazeres acéfalos, por isso preferem ver coisas como telenovelas em vez de ler livros ou de experiemntar outra forma de cultura. Os níveis baixos de vendas de livro e de bons hábitos de literatura não são a doença, são um sintoma de algo muito maior, de um país culturalmente decadente e sem objectivos, de um sistema de ensino fraco e de uma sociedade fútil.
Mário Barroso



[MÚSICA] Bolas de Naftalina Vai ao Baile 1 - Teste 1,2,3

17 de abril de 2010 à(s) 18:54

Depois de um período de hibernação, volto com uma nova rubrica no blog. "Bolas de Naftalina vai ao Baile" pretende juntar música para todos os gostos, uma selecção de temas das bandas nossas conhecidas, diferentes dos singles que passamos a vida a ouvir na rádio; uma oportunidade para conhecer as "outras" músicas (ou encontrar mais um amigo fã).


Para vocês, pela primeira (espero eu) de muitas vezes, um mix saído directamente do meu fantástico MP3. Desfrutem!

The End of It All - 16 Volt
My Propeller - Arctic Monkeys
No I in Threesome - Interpol
Twisted Logic - Coldplay

Tourist - Julian Casablancas
Try your Best - Kaiser Chiefs

Miles Away-The Truth - Depeche Mode
Closer - Kings of Leon
Glorious - Muse
Soldier of Love - Sade
Paradise Circus - Massive Attack
Little Sister - Queens of The Stone Age
Runnig Up that Hill - Placebo
The National Anthem - Radiohead
Stylo - Gorillaz



Raquel Pereira

[LIVROS] 80ª Feira do Livro de Lisboa

11 de abril de 2010 à(s) 12:40
A 80ª Feira do Livro de Lisboa abre portas este ano no dia 29 de Abril, no Parque Eduardo VII, e estende-se até 16 de Maio. Este ano a feira integra 120 editoras distribuídas por 237 pavilhões, contando com debates e mesas redondas, que decorrerão às 18.30 horas nos dias úteis e às 17.30 horas aos fins-de-semana e feriados, e ainda música ao vivo todos os dias às 21.30h. De segunda a sexta a feira abre as 12.30 e encerra às 23.30, aos sábados, domingos e feriados abre às 11.00 horas e encerra às 23.30.

Mais informação será divulgada quando se encontrar disponível.

[CINEMA] Review - Homens Que Matam Cabras Só com o Olhar

5 de abril de 2010 à(s) 11:11

Realizador: Grant Heslov
Argumento: Peter Straughan (filme), Jon Ronson (livro)
Com: George Clooney, Ewan McGregor, Jeff Bridges, Kevin Spacey
Duração: 94 minutos

Homens que Matam Cabras Só com o Olhar, no original The Men Who Stare at Goats é só por si um título estranho, que nos enche a boca e que assenta que nem uma luva a esta história alucinada e inverosímil que mais parece saída do imaginário dos irmãos Cohen.

O filme segue a história presente do repórter de um jornal local, Bob Wilton (Ewan McGregor) que um dia entrevista Gus Lacey, um homem que afirma ter capacidades psíquicas e que Wilton primeiramente descarta como mais um maluquinho do pós-guerra. Quando a sua mulher o deixa pelo editor do jornal, Wilton, desesperado e furioso, viaja até ao Kuwait com um intuito de investigar os acontecimentos da guerra do Iraque. No entanto, acaba por tropeçar no grande furo da sua vida jornalística quando conhece o operador das Forças Especiais Lyn Cassady (George Clooney), que lhe revela ser parte de uma unidade do exército americana constituída por espiões psíquicos (denominados de “Guerreiros Jedi”), especialmente treinados a desenvolver uma serie de habilidades parapsicológicas que incluem a invisibilidade, o “
remote viewing” (habilidade de recolher informação acerca de um objecto escondido da vista e localizado à distância, utilizando percepção extra-sensorial ou intuição mental) e a capacidade de rebentar nuvens com a mente e de atravessar paredes.
A partir daí, Lyn e Wilton embarcam numa viagem cheia de peripécias pelo deserto iraquiano (intercalada com os flashbacks da historia de Lyn até ao momento), com a missão de encontrar o superior de Lyn (com o qual ele teve uma visão): Bill Django (Jeff Bridges). Django é o responsável pela criação do New Earth Army, baseada nas explorações do movimento New Age durante a sua viagem pela América dos anos 70, movidas por uma epifania que teve quando levou um tiro durante a guerra do Vietname.

O filme de Heslov tem a sua inspiração no livro do jornalista britânico Jon Ronson, acompanhado pelo documentário em três partes
Crazy Rulers Of The World, fruto do trabalho do jornalista e realizador John Sergeant.

No fundo,
The Men Who Stare at Goats apresenta-nos uma sátira ao período da Guerra Fria, um despique entre duas facções para ver quem reunia a maior parafernália de armas e interceptava a maior quantidade de informação inimiga (ainda que de qualidade duvidosa), mas onde na prática não acontecia nada; aqui, é um caso quase ridículo de: “temos de financiar estas experiências psíquicas com os nossos militares porque os russos também o fizeram, porque por sua vez pensavam que nós já o tínhamos feito”.

Apesar do propósito do filme parecer perder-se, por vezes, no desenrolar do enredo, resultando num amontoado de cenas sequenciais no mínimo bizarras (e se calhar, o propósito é mesmo esse, até porque o livro segue esse método), culminando num final pouco perceptível,
deparamo-nos com momentos tão especiais como a conversa entre Lyn e Wilton no quarto de hotel, sobre Jedis e o poder da Força, quando ironicamente Ewan McGregor (Wilton) é conhecido pelo seu papel de Obi-Wan-Kenobi nos primeiros (ou últimos) três filmes da saga da Guerra das Estrelas; um Jeff Bridges de tranças e um Clooney de cabelo comprido a dançarem danças de salão e a fazer tai-chi ou mesmo o homem que consegue levantar sacos de areia pelo escroto. E claro, a mítica cabra que morre sob o olhar fixo de Clooney, como teste ao alcance das suas capacidades psíquicas.

Tirando o chapéu a um realizador pouco conhecido como Heslov, que consegue reunir um elenco de estrelas de renome numa história pouco convencional, e apesar da pouca projecção nos cinemas portugueses, este é um filme que vale a pena ver, nem que seja só pelo humor negro e a comédia dos momentos, pela entrega total de actores sérios às suas personagens alucinadas (sublime George Clooney, muito pouco
sex-symbol “Nespresso Man” aqui) e pela ironia subliminar (em jeito de critica indirecta) presente em toda a história.


Raquel Pereira



[LIVROS] Jodi Picoult

2 de abril de 2010 à(s) 20:14

(Isto não é um despique, juro…) Mais uma autora que todos devem conhecer, a minha favorita de sempre;

Jodi Picoult nasceu e foi criada em Long Island, tendo-se mudado para o estado de New Hampshire quando tinha 13 anos. A sua primeira história, escreveu-a aos 5 anos de idade, um conto intitulado The Lobster Wich Misunderstood.

Estudou escrita criativa na Universidade de Princeton, altura em que publicou duas short-stories na revista Seventeen. Apesar da toda a criatividade, as dificuldades do mundo real levaram-na a uma série de ocupações diferentes depois de obter a graduação (onde aplicava os seus conhecimentos literários) tendo trabalhado numa correctora em Wall Street, numa agência de publicidade, numa editora e ainda como professora de Inglês do 8º ano; tudo isto antes de tirar um mestrado em Educação na Universidade de Harvard.

O seu primeiro livro, Songs of the Humpback Whale, foi escrito durante a gravidez do primeiro dos seus três filhos, tendo sido publicado no ano de 1992; a partir daí, publicou um romance diferente quase todos os anos, ao mesmo tempo que criava a família (filhos e animais de estimação incluídos) em Hanover (no New Hampshire) e ainda arranjava tempo para responder aos inúmeros pedidos de aparições públicas para promoção dos seus livros.

Escreveu dezassete romances até à data (na sua maioria bestsellers), desde Songs of the Humpback Whale ao seu mais recente House Rules, publicado este ano nos EUA. Alvos de uma longa lista de prémios, os seus livros estão traduzidos em 34 línguas diferentes, num total de 35 países. Em Portugal, já foram publicadas 9 traduções: O Pacto (The Pact), Tudo por Amor (Perfect Match), Uma Questão de Fé (Keeping Faith), Para a Minha Irmã (My Sister’s Keeper), Memórias Esquecidas (Vanishing Acts), O Décimo Circulo (The Tenth Circle), Dezanove Minutos (Nineteen Minutes), Frágil (Handle with Care) e Em Troca de Um Coração (Change of Heart), tendo estes três últimos atingido o nº 1 na lista de bestsellers do New York Times no seu pais de origem.
A par dos romances dramáticos que lhe granjearam o sucesso e o enorme reconhecimento mundial, foi autora de cinco edições da série de banda desenhada Wonder Woman, da DC Comics.

No campo das adaptações cinematográficas, três dos seus livros – The Pact, Plain Truth e The Tenth Circle – foram retratados no pequeno ecrã televisivo; My Sister’s Keeper deu origem ao filme com o mesmo nome realizado por Nick Cassavetes e contando com Cameron Diaz, Alec Baldwin e Abigail Breslin nos principais papéis, que estreou o ano passado nos cinemas portugueses (a titulo de curiosidade, o filme terá gerado polémica à volta do final distinto do do livro, o que arruinou a película a muito bom fã, que inclusive escreveu à autora a perguntar o porquê de ter permitido a destruição da história. Jodi afirmou que as alterações do guião em relação ao livro não eram da sua responsabilidade e que, apesar disso, o filme ganhava pelas boas interpretações dos seus actores e pela grande carga emocional retratada, que faziam daquela uma belíssima história; também terá recomendado a compra de uma caixa de Klennex aos mais sensíveis…).


Alguns artigos salientam a forma quase clarividente com que Jodi situa as suas histórias mesmo no meio dos dilemas morais que são a génese dos debates nacionais de hoje em dia; a sua carreira tem por base uma ficção que, apesar de obviamente fictícia, parece saltar directamente das discussões dos talk-shows e das “letras gordas” dos jornais. Aos 38 anos, quando muito bom autor está ainda a lançar o seu primeiro livro, Jodi já tinha publicado 12, todos livros que lidam com os principais “assuntos quentes” da nossa sociedade: desde a investigação de células estaminais ao suicídio na adolescência, passando pelo abuso sexual, o aborto, o incesto e a eutanásia.

Jodi não escreve à deriva; o seu trabalho assenta numa investigação intensa, com visitas a laboratórios médicos, conversas intermináveis com advogados e viagens a sítios remotos (apesar da maioria das tramas se situar no estado de New Hampshire, o lar da autora, por exemplo, The Tenth Circle desenrola-se em terreno mais inóspito, no Alasca). Segundo ela, esta é uma parte crucial do processo: é quando está profundamente embrenhada na pesquisa dos factos ou na condução de entrevistas que “ as luzes se acendem no seu cérebro, levando-a em novas direcções”.

Igualmente, Jodi tem um jeito com as palavras. Deixando de parte a minha capacidade inexperiente para a critica literária, (reconhecendo, obviamente, que não estamos perante uma escritora de génio, mas, sem dúvida uma boa escritora), é impossível não nos agarramos aos seus livros até nos esquecermos de tudo à nossa volta, só voltando à realidade quando é mesmo preciso ou bem…quando o livro acaba.
Há ali muitos elementos positivos: as reviravoltas inesperadas, a ironia das palavras e uma capacidade anormal para a chamada punch-line e para deixar o leitor na expectativa e a implorar por mais e mais. Isto mesmo sem contar com a história fenomenal e as personagens complexas e atractivas, marcadas quase sempre pela luta de uma mãe pelos filhos para lá do limite do que é ético e moral e por um processo jurídico ao grande estilo das séries de televisão. E até temos direito a reencontrar algumas das personagens (embora sempre num papel mais secundário) e seguir a sua evolução de um livro para o outro.


Para quem quiser seguir alguns conselhos práticos de uma fã acérrima (orgulho-me de dizer que, dos dezassete livros, já li doze), deixo aqui algumas notas;
Apesar de haver personagens recorrentes, não é obrigatório fazer uma leitura sequencial dos livros: cada um conta a sua história individual e é fácil apanhar os pedacinhos da história das personagens que voltam a aparecer; para além disso, as traduções portuguesas também não estão a seguir as datas de publicação e, já agora, são um bom ponto de partida para conhecer a bibliografia de Jodi, com uma qualidade de escrita/tradução bastante aceitável. No entanto (e como já foi referido neste blog) os livros de importação oferecem não só um preço mais em conta, como também uma maior variedade (visto que, obviamente, existem todos os dezassete na língua original) e uma maior percepção da escrita da autora.

Em relação aos próprios livros, só posso dizer os que gostei mais:
Para a Minha Irmã, que conta a história de Anna Fitzgerald e da sua luta contra os pais para obter a emancipação médica e deixar de ser a dadora da irmã, em estado terminal de leucemia;

Dezanove Minutos
, sobre o pesadelo do bullying e de uma vingança ao estilo Columbine que marcam a vida do adolescente Peter Houghton;


Salem Falls
(ainda não traduzido em português) mostra como uma simples acusação de abuso sexual baseada na inveja e irreverência adolescente pode destruir a vida de um homem inocente e iniciar uma caça-às-bruxas dos tempos modernos;


O Décimo Circulo
, uma viagem quase literal aos dez círculos do inferno pessoal de Daniel Stone, quando a sua filha é violada pelo namorado.



Para todos e mais alguns, enjoy

Raquel Pereira

[CINEMA] Review - Estado de Guerra

1 de abril de 2010 à(s) 20:30
Realizadora: Kathryn Bigelow
Argumento: Mark Boal
Com: Jeremy Renner, Anthony Mackie, Brian Geraghty e Ralph Fiennes
Duração: 131



Review: Considerei durante bastante tempo se me devia meter na empreitada de fazer um comentário (isto vai ser mais um comentário do que propriamente uma review) ao filme “Estado de Guerra” (mais conhecido por “The Hurt Locker”), isto porque, muito sinceramente, mesmo já tendo reflectido sobre o assunto, não consigo ter uma opinião sólida sobre o filme. A primeira coisa que me apetece dizer sobre o filme é que fico contente por ter ganho a Avatar, a segunda coisa é que não percebo muito bem porque levou o Oscar para melhor filme. Mesmo só tendo visto metade da lista dos nomeados posso dizer com toda a certeza que “Sacanas sem lei” ou “Distrito 9” mereciam muito mais o prémio de melhor filme, e de melhor realizador, do que Hurt Locker ou Avatar.


O filme propriamente dito trata da malfadada guerra do Iraque, mais propriamente de uma equipa de desmantelamento de bombas. A premissa era interessante e se há algo que o filme consegue é trazer uma nova visão dos soldados dos EUA, que neste caso não são tratados nem como semi-deuses nem como incarnações do demónio. E esse facto é capaz de ser o melhor e o pior do filme. O que acontece é que sendo as personagens um retrato, supostamente, fiel do soldado não há grande coisa com que o espectador comum se possa relacionar, não existem lados para se tomar, a linha entre o bem e o mal, o amigo e o inimigo, simplesmente não existe. Nesse aspecto posso afirmar que nunca tinha visto um filme de guerra que apresentasse as coisas de uma forma tão pouco dinâmica, mas ao mesmo tempo tão real.

O enredo em si também não suscita grande excitação, no fundo este filme é uma sequência relativamente desconexa de eventos. Se resolvessem trocar o desmantelamento em local X por uma situação idêntica em local Y não haveria nenhuma diferença visível no desenrolar do filme. Um dos principais problemas, na minha opinião, é a falta de suspense no desenrolar da história, os desarmes dos diversos engenhos explosivos são interessantes mas “ficam velhos” rapidamente, além disso existe sempre o factor “estamos a metade do filme é óbvio que o personagem principal não vai morrer” e por isso não sobra grande coisa para entreter o espectador.

Dum ponto de vista mais técnico o Hurt Locker não apresenta grandes problemas, a fotografia e a sonoplastia foram bem executados. Quanto à realização, achei competente mas nada de transcendente ou revolucionário. O mesmo pode ser dito dos actores, competentes mas sem impressionarem.

Em suma Hurt Locker é um bom filme, apesar de não ser altamente entusiasmante consegue “agarrar” o suficiente para que não se torne chato. É um filme simples feito de retalhos de uma guerra desconexa, vazia e sem objectivo e é precisamente nisso que está o seu mérito. É a guerra tal como ela é e não como nos filmes.


Mário Barroso